A 6ª fase da Calvário

Apenas seis dias após deflagrar a 5ª fase da operação Calvário, com abrangência em cinco Estados e que prendeu três na Paraíba, o Grupo de Ação contra o crime Organizado na Paraíba – Gaeco, voltou às ruas com a 6ª fase, que cumpre mandados de busca e apreensão em endereços dos que teriam distribuído ou recebido propina.

O Gaeco quer reunir provas das revelações feitas por delatores do esquema de desvio de dinheiro da Saúde e da Educação para enriquecimento ilícito de agentes públicos e financiamento de campanhas eleitorais do partido no poder.

Os investigadores foram à casa do ex-secretário Ivan Burity, da advogada Luciana Ramos Neiva, em endereços de Eduardo Simões Coutinho, Marcelino Paiva Martins, nos hospitais Metropolitano de Santa Rita e no Regional de Mamanguape.

Foram ainda no aeroporto Castro Pinto para obter registros de voos particulares e seus passageiros, e conferir informação que teria sido passada pela ex-secretária Livânia Farias sobre transporte de propina de outros Estados para a Paraíba. O despacho que garantiu a 5ª fase já antecipara que o hangar do governo da Paraíba tinha sido usado nessas operações.

O desembargador Ricardo Vital autorizou buscas até em quartos de hotéis, motéis e outras hospedagens temporárias. Também avalizou apreensão de materiais em veículos, bem como acesso ao conteúdo dos dispositivos eletrônicos, inclusive na nuvem, em especial os relacionados a diálogos e e-mails; e o afastamento do sigilo telemático dos serviços digitais contidos nos aparelhos apreendidos com os investigados.

O desembargador Ricardo Vital determinou que tão logo cumpridas as medidas, fosse levantado o sigilo dos autos. Ele apontou que o material já apreendido permite supor que Daniel Gomes (Cruz Vermelha RS), ao abrir filial na Paraíba, criou condições para continuar atuando em supostos esquemas criminosos.

O deputado oposicionista Tovar Correia Lima criticou o governador João Azevêdo por realizar dois novos chamamentos públicos para contratação de OS para gerenciar hospitais no valor de R$ 88 milhões e R$ 261 milhões. “Esse modelo não deu certo e me causa muita estranheza insistir nisso. Será que querem continuar com esse esquema de corrupção?”. Com a palavra, João Azevêdo.

 

Lena Guimarães/Jornal Correi da Paraíba
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