A coragem de Dom Delson

Foto: Instagram/Diocese de Campina Grande

Desde que assumiu a igreja católica, o papa Francisco demonstra com atos que seu compromisso maior é com a fé cristã e com os cristãos. Tanto é verdade que teve a coragem de enfrentar publicamente os danos provocados por denúncias de abusos sexuais pelo mundo afora, principalmente pedofilia, e de afastar do sacerdócio os responsáveis.

Nos últimos dias admitiu que algumas freiras foram transformadas em “escravas sexuais” por padres, e tomou providências enérgicas contra os que romperam o compromisso do celibato, e mais do que isso, cometeram crimes contra vulneráveis.

Casos de freiras com filhos que não foram reconhecidos, algumas  que foram punidas por seus superiores e agressores, chegaram à imprensa. A igreja antes de Francisco mantinha silêncio. E a impunidade, como ocorre independente do crime, alimentou outros.

Para alguns, admitir tais erros que ofendem a fé cristã, fragilizaria a imagem da igreja. Na verdade, está ocorrendo o contrário: os católicos estão apoiando o Papa e seu esforço para restaurar o compromisso com as leis de Deus, que condenam pedofilia, separando o joio do trigo.

E essa visão do Papa chegou à Paraíba com a nomeação de Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz como arcebispo. Inspirado em Francisco, teve a coragem de reunir os padres que estão sob sua autoridade e entregar, a cada um, olhos nos olhos, um decreto que assinou e pelo qual estabelece regras para o convívio dos religiosos com menores de idade e adultos vulneráveis.

Dom Delson proibiu que fiquem na companhia desses grupos desacompanhados dos pais ou de responsáveis, tanto na casa paroquial, como em carro ou em ambientes reservados.

Considerando a condenação pela Justiça, em R$ 12 milhões, contra a Diocese,  em razão de casos de abusos sexuais, a providência foi necessária. E mais: considerando que até pouco tempo a ordem era abafar, mostra compromisso com os fieis e com o futuro da igreja.

Quem sairia de casa para ouvir ensinamentos sobre fé, ética, moral e boas práticas de um sacerdote acusado de corromper menores indefesos ou adultos vulneráveis? Quem deixaria suas crianças frequentarem o mesmo ambiente?

Fácil é o caminho da omissão. Dom Delson merece aplausos. Seu decreto é importantíssimo passo para recuperar a confiança na igreja.

Lena Guimarães/Jornal Correio da Paraíba
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