AJD manifesta solidariedade ao Desembargador Siro Darlan

Segundo AJD, existe uma ânsia persecutória contra juízes "que insistem em fazer valer a ordem constitucional"

A Associação Juízes para a Democracia (AJD) divulgou nota pública em solidariedade ao desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Siro Darlan, alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã desta terça-feira (24). Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão dentro de uma investigação que apura venda de sentenças.

Confira abaixo a nota da AJD na íntegra:

A AJD, entidade fundada em 1991 e desde então comprometida com a prática de uma democracia real, repudia publicamente o ataque que vem sendo feito a juízas e juízes, cujas decisões são fundamentadas nas garantias previstas na Constituição. Por isso, vem a público manifestar irrestrita solidariedade ao Desembargador Siro Darlan, alvo de operação que, no mínimo, causa estranheza pela extrema inconsistência dos motivos elencados para a sua realização. A operação espelha uma clara instrumentalização do aparato policial para fins dissociados da impessoalidade que deve orientar as ações da administração pública, sobretudo quando afeta diretamente a independência judicial, como ocorre nesse caso. A sincronia dessa operação com a repercussão, no campo político, de medidas tomadas pelo Desembargador Siro Darlan, no legítimo exercício da função jurisdicional, traduz não só uma agressão à independência de toda a magistratura, mas também, e principalmente, às garantias constitucionais pelas quais deve zelar. A inércia absoluta em relação às ilicitudes praticadas pelo então juiz Sérgio Moro, premiado com o cargo de Ministro da Justiça, e a ânsia persecutória contra juízas e juízes que insistem em fazer valer a ordem constitucional dá a medida do estado de exceção em que estamos mergulhados. A AJD seguirá denunciando esses abusos.

Não há democracia sem um Poder Judiciário independente.

 

Brasil, 24 de setembro de 2019

 

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