Após escândalos sexuais, Dom Vilson, Bispo de Limeira, pede demissão

Dom Vilson Dias de Oliveira renunciou ao cargo de Bispo da Diocese de Limeira

Americana – Na manhã desta sexta-feira (17/05/2019), Dom Vilson Dias de Oliveira renunciou ao cargo de Bispo da Diocese de Limeira, que ocupava há 13 anos. Em sua carta se renúncia, que foi aceita pelo Papa Francisco, no Vaticano, Vilson declara:

“Queridos irmãos e irmãs, nesses últimos meses enfrentamos todo tipo de cruzes, por meio de ataques à nossa Igreja Particular de Limeira, a mim e a vários presbíteros. Reconheço minhas limitações… Sinto-me pequeno”.

O Vaticano anunciou que Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, será o administrador apostólico “sede vacante” da diocese, ou seja, até que um novo bispo seja designado para assumir o episcopado.

No último sábado (11/05/2019), houve uma passeata nas escadarias da Basílica de Americana, pedindo a saída do Bispo, organizada pelo grupo Chega de Abuso, sob controle do ativista Giulio Ferrari.

O Bispo é investigado em ao menos três inquéritos, que apuram extorsão, enriquecimento ilícito e acobertamento de crimes de pedofilia e abuso sexual num processo judicial que já dura ao menos 3 anos. Ele era responsável por 106 paróquias de 16 cidades da região de Limeira, no interior de São Paulo.

Investigações
Dom Vilson é investigado por três inquéritos, sendo um na Seccional de Piracicaba e outros dois em Limeira e Araras – todas cidades do interior paulista.

Na apuração da Seccional de Limeira, o resultado foi um inquérito de mais de 300 páginas que cita diversas denúncias de extorsão para enriquecimento ilícito. O ex-bispo nega.

Em um dos casos, de 2012, um integrante do conselho consultivo de uma igreja em Americana afirmou, em depoimento, que um pároco disse aos conselheiros que o bispo dom Vilson pediu a doação de R$ 50 mil.

O conselho não autorizou a doação, que seria para uso particular. O padre confirmou em depoimento à polícia que, por causa da negativa da igreja, o bispo pediu a contribuição dos R$ 150 mil para obras na Diocese de Limeira – ameaça que, no depoimento, ele disse que tinha feito caso não conseguisse a doação.

Em outra denúncia de extorsão, em 2015, o bispo dom Vilson teria pedido R$ 4 mil ao padre de uma paróquia em Artur Nogueira (SP). O padre disse, em depoimento, que o dinheiro era para construir um poço artesiano na casa de praia de dom Vilson, em Itanhaém (SP), na baixada santista.

Gritaria e confusão na igreja
O Metrópoles mostrou que, no primeiro domingo do mês (05/05/2019), uma romaria terminou com troca de tapas e insultos em uma igreja de Americana, cidade do interior de São Paulo. Por volta das 19h30, logo após o término da Romaria de Nossa Senhora de Aparecida, um grupo de fiéis ficou revoltado com o fato de um músico próximo a um padre afastado em uma investigação sobre pedofilia, abuso sexual e apropriação indébita ter sido chamado para tocar piano na missa.

O músico, Gustavo Maranha, segundo os fiéis, tem relação estreita com o padre Pedro Leandro Ricardo,  justamente o alvo da investigação. Leandro foi afastado da reitoria da basílica desde o final de janeiro, quando a investigação avançou.

A briga aconteceu na Basílica de Santo Antônio de Pádua, epicentro do escândalo. Anésia Bragião Maranha agride Karina Tedesco, ministra episcopal.

“Ela ficou batendo no meu peito e tentou me enforcar”, relata Karina. Momentos antes, houve um desentendimento entre ela e o filho de Anésia, Gustavo, vestido de preto, com cavanhaque. Karina chamou a polícia e registrou boletim de ocorrência.

 

Guilherme Novelli, especial para o Metrópoles

Fonte/Metropoles.com

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