As pedras no caminho

O campeonato paraibano começou com os mesmos problemas do ano passado. Os estádios estavam sem o laudo técnico, que davam garantias às práticas esportivas, mas um entendimento entre ministério público, federação e os clubes, tudo ficou resolvido e a competição teve início em sua data marcada. Aqui em Cajazeiras, tivemos grande expectativa para o campeonato, pois Atlético e Paraíba, fizeram suas pré-temporadas e mostraram muita vontade de fazer uma boa participação no certame estadual. O Paraíba estreou em casa, enfrentou o Botafogo de João pessoa, tido como o elenco mais valorizado do estado. A cobra coral não fez feio, jogou de igual para igual, e conseguiu um empate sem gols contra o belo, que era favorito. O Atlético foi a João Pessoa, enfrentar o Auto e perdeu por 2×1, saindo na frente, mas no segundo tempo, levou a virada, saindo derrotado de campo.

O Atlético fez uma boa pré-temporada, pois tinha contratado um treinador baiano para sair do circuito das redondezas, o time fez alguns amistosos contra equipes da região, agradando seus torcedores e a comissão técnica, deixando esperançosos sua numerosa torcida. O problema foi quando a coisa passou a valer os três pontos, o time não conseguiu mostrar em campo aquilo que tinha conseguido  nos treinamentos, mostrando as suas velhas e conhecidas deficiências. A equipe estava sem força ofensiva para encarar seus adversários, além de problemas nas laterais e no meio de campo. Foi difícil engolir uma derrota caseira para o rival local, o Paraíba, em um jogo polêmico, que os alviazulinos  reclamaram muito da arbitragem. No sábado de Carnaval, enfrentou o adversário mais qualificado do campeonato, o Campinense, que aqui mostrou um belo futebol com seu meia Roger, que comandou um belo espetáculo, goleando os atleticanos por um sonoro 4×0 em pleno Perpetão.

Já o Paraíba não fez uma boa pré-temporada, não agradando os seus torcedores e como também a sua comissão técnica, comandada na época por Pedrinho Albuquerque, que tinha feito um bom trabalho aqui em uma outra temporada, mas que precisava de mais tempo para dar um melhor volume de jogo a equipe. Pedrinho viu vários erros da equipe e mudou muita coisa para uma estréia contra o Bota da capital, reverenciado pela sua alta folha de pagamento. O belo só  mostrou um bom futebol no primeiro tempo, devido as falhas do Paraíba, que mesmo assim, conseguiu segurar o placar e poderia ter saído com uma vitória contra o time da capital, pois até bola na trave mandou, mas a redonda não quis entrar na meta botafoguense. O Paraíba ganhou o clássico local contra o Atlético, em um jogo polêmico, mas mostrou muitas falhas na defesa; o treinador Pedrinho, não conseguiu supera-las e o time perdeu para o CSP por 3×0 no Almeidão. Esperava-se o Treze para uma reabilitação, mas a equipe só empatou em 2×2, com falhas na defesa que foram primordiais para o resultado do jogo.

O trovão azul demitiu Paulo Sales, e trouxe Cleibson Ferreira, para dar uma virada na equipe, que ameaça ir ao torneio da morte. O treinador teve uma semana para resolver os problemas, já que ia enfrentar o arqui rival Sousa, no maior clássico do sertão, aqui em Cajazeiras, no estádio Perpetão. O jogo terminou em 0x0, deixando um gosto amargo de derrota para os atleticanos, que fizeram uma boa atuação, mas que não conseguiram balançar as redes adversárias. Já o Paraíba trouxe Suélio Lacerda, também para dar uma guinada em sua equipe, que vive uma situação bem melhor que o Atlético, mas que também não consegue bons resultados. A cobra coral foi a Patos e perdeu para o Esporte por 3×2, deixando a equipe em uma situação complicada para se classificar.

As equipes de Cajazeiras não passam por um bom momento, e se enfrentam no clássico local domingo as 16h no Perpetão, onde saberemos de vez o que querem os nossos representantes no restante da competição. É difícil fazer futebol no Sertão, uma região marcada pela miséria do dia a dia, mas era preciso um planejamento melhor para não passar por todos esses perrengues que deixam nossos torcedores desolados. Em 2016, parece que todos os pesadelos estão juntos para nos afligir, e de novo, teremos que tirar as milhares de pedras que temos em nosso caminho. Espero que um dia, teremos mais alegrias em nossas tardes domingueiras e que nossos torcedores saiam mais felizes do estádio, vendo um futebol de qualidade bem superior ao que é mostrado até agora, que nos deixa tristes e decepcionados.

Hugo Ferreira Pinto

 

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