Até que enfim

Sempre que começa um novo ano, as atenções se voltam para o começo do Paraibano de futebol, que sempre tem as mesmas coisas: laudos de estádios incompletos, alvarás vencidos, fiscalização não sei de quê. É tanta coisa que a gente não sabe explicar, pois entra ministério público, Corpo de bombeiros e Federação, mas no fim, tudo se ajeita e o campeonato começa. Só que outros problemas começam, as famosas datas impostas pela CBF, que tanto maltratam e prejudicam o nosso campeonato, pois a maioria é de equipes pequenas, que passam a maioria do ano sem atividades esportivas. Esse ano não foi diferente, teve os mesmos problemas para começar o campeonato, e novamente a coisa foi ajeitada de última hora, como sempre; até intervenção do governador, houve. Dizem que campeonato paraibano sem bagunça, sem barraco, sem esculhambação não é campeonato, pois essas coisas dão também o tempero para atrair o gosto pela competição, afinal já somos acostumados a essas coisas há décadas, portanto já faz parte de nosso DNA, só quem mais reclama é a imprensa, que cobra coisas da Europa, mesmo estando na gloriosa PB.

Assim como no ano passado, o Campinense e o Botafogo armaram as melhores equipes e confirmaram o seu favoritismo em campo, pena que o outro grande, o Treze, não apresentou um bom time, devido à desunião da diretoria e um caixa não vitaminado a voltar para a elite de nosso futebol. No Sertão, tivemos a presença do Esporte de Patos, depois de quatro longos anos afastado da competição, e as equipes de Cajazeiras e de Sousa que formaram seus times para disputar o campeonato.O Paraíba fez uma boa equipe, e a coisa se confirmou durante o torneio; o Sousa também armou uma razoável equipe, pois contava com seu conhecimento de boas campanhas de outras eras; O Atlético fez uma reformulação de ideias, nada de Ceará, agora foi a vez da boa terra, onde importou da comissão técnica até a maioria dos jogadores. Na imprensa, a expectativa foi grande, mas o time não deslanchou, deixando sua grande torcida sofrendo por mais um ano de decepção, só escapou da degola, porque este ano tinha o torneio da morte, onde a equipe se saiu muito bem; pasmem, se dar bem em torneio da morte, não é para qualquer um.

Com o certame em andamento, a coisa foi se mostrando o que era pra ser, com Campinense e Botafogo mostrando seus potenciais e fazendo valer no gramado o que eles tinham contratado. O Botafogo tem uma folha salarial muito grande, principalmente em se tratando de Paraíba, um estado muito pobre, mas dizem que tem a anuência da prefeitura da capital, que o ajuda para as campanhas da Copa do Brasil e da difícil série C. A folha salarial do Belo gira em torno de 500.000 reais por mês, mas acho que no campo o futebol apresentado pelos tricolores da maravilha do contorno deixa muito a desejar. Atualmente o time é o vice líder da C, só fica atrás do Fortaleza, e se manter a pegada, pode ir longe e disputar às vagas para à B. a Raposa tem um orçamento bem menor, cerca de 250.000 reais mês, mas o futebol apresentado vale por muitos times de folhas bem mais caras, pena que perdeu seu principal  jogador: Rodrigão, que se foi ao Santos. Rolando o campeonato, não deu outra, o Belo e a Raposa foram dominando até chegar à final, com o campeonato já prejudicado por recurso do Treze e a participação das equipes em torneios nacionais.

O Treze entrou com um recurso contra seu maior rival, alegando que o mesmo não cumpria com as regras do PROFUT, mas parece que não ganhou a causa, pois ela ainda está rolando no STJD da CBF. Acho difícil ele se sair bem, pois em campo, o futebol mostrado pelo Galo foi de doer na alma, pois o vi jogar aqui no Perpetão, só não perdeu, por causa de uma arbitragem marota. O Galo enfrenta problemas financeiros e sua diretoria briga mais contra o time do que a favor, e assim  a equipe vai se arrastando até 2017, onde vais disputar o Paraibano e tentar uma vaga na D. O Sousa se deu muito bem, pois não contratou uma equipe cheia de algumas estrelas, mas em campo, mostrou um futebol valoroso e chegou às semifinais com muito mérito, pois derrotou o Bota da capital por duas vezes, atuando no Marizão, mesmo sendo eliminada pelo Belo, a equipe  mostrou sua força, e hoje está disputando à série D. O Paraíba não teve a mesma sorte, fez um bom campeonato, mas no fim, sua equipe perdeu força e a chance de disputar às semi do Paraibano, foi uma pena, pois o time tinha melhor campanha que o Sousa, mas fracassou contra o CSP, que ficou com a vaga, deixando Cajazeiras triste, pois nossa cidade não disputava uma semi desde 2007.

O Atlético foi a mesma coisa, foi buscar na Bahia um treinador diferente, pois se queria sair do roteiro Ceará, que abastece o nosso futebol. No começo, ou pré-temporada, a coisa dava uma boa impressão, mas quando o campeonato começou, foi derrota por cima de derrota e o treinador Paulo Sales voltou à Bahia para treinar o Jacobina. Entrou outro treinador, agora de Pernambuco, mas a coisa continuou na mesma, o futebol atleticano não ia pra canto nenhum e o resultado de um ano tão ruim foi disputar o temido torneio da morte, onde o Trovão se saiu vice-campeão. Paulo Sales foi escolhido para Cristo, mas eu não vi em nenhum momento evolução no futebol do trovão, os mesmos erros e a famosa indisciplina de alguns, que estavam na boca dos torcedores atleticanos. A gente pede que o Atlético possa se organizar melhor, para disputar o Paraibano, mas as coisas só ficam nas promessas, pois desde 2007, não formamos um bom elenco que chegue com vontade de lutar pelo título ou às semi do estadual. A imprensa de Cajazeiras gosta de criticar à FPF, e no próximo ano vamos ter mais problemas, pois a CBF diminuiu as datas para a realização do certame estadual e isso certamente vai acarretar mais problemas para nosso espremido e pobre campeonato, que é bombardeado por muita gente.

O campeonato acabou, para muita gente da imprensa foi um “até que enfim”, já que demorou bem mais que o marcado pela CBF, mas é preciso ver que nosso futebol melhorou, com o Belo na C, o Campinense já ganhou Copa do Nordeste, como já esteve na B em 2009. Essas coisas dificultam o roteiro da Federação para o cumprimento de tabelas, pois a Raposa foi à final contra o Santa, além do mais tem a Copa o Brasil, que deixa bem menos espaços para que os jogos sejam realizados. Se a CBF não encontrar uma saída para estas datas, vamos sofrer um bocado, pois aqui na Paraíba, a maioria das equipes ficam desocupadas por quase oito meses do ano, se não houver algo que possa ajudar nosso pobre futebol, teremos apenas poucos clubes para as disputas dos campeonatos.

 

Por/Hugo Ferreira Pinto

 

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