AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DOS ALUNOS DO EJA

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem por finalidade descrever as formas de avaliação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no âmbito escolar, e estudá-las como ferramenta para o processo avaliativo do educando.

No decorrer do curso de pós-graduação em psicopedagogia auferi várias leituras de livros, revistas, pesquisas na internet que despertaram-me para o tema.

 

A avaliação tem despertado o interesse dos vários segmentos envolvidos no processo educacional: gestores, professores, alunos entre outros. Sabe-se que a avaliação, nunca antes, foi tão discutida e questionada como mecanismo que orienta e acompanha o processo educativo geral tornando-se inevitável a reflexão sobre a ação que o educador deve ter frente o ato avaliativo. A necessidade de avaliar corretamente os alunos mostra que a mesma deve ser um processo para auxiliar no desenvolvimento cognitivo do aluno e não apenas para classifica-lo.

A clientela do EJA geralmente é o discente que não teve oportunidade de concluir o ensino fundamental; o migrante que chega as grandes metrópoles provenientes de áreas rurais empobrecidas, filhos de trabalhadores rurais não qualificados e com baixo nível de instrução escolar.

Lemos (1999) elenca os motivos dos adolescentes e adultos procurarem um curso de EJA:

Inicialmente são motivados pela expectativa de conseguir um emprego melhor, ou então são levados pelo desejo de elevação da auto-estima, da independência, da melhoria de sua vida pessoal (…) em síntese, pode-se inferir que o maior motivo da procura da escola é a necessidade de fixação de sua identidade como ser humano e ser social. (LEMOS 1999, p. 25).

A avaliação da aprendizagem é complexa e requer elaboração de meios para obter resultado positivo: é um processo contínuo, sistemático, compreensivo, comparativo, informativo e global; permite avaliar o conhecimento geral do aluno.

A escolarização normatizadora imposta aos trabalhadores que conseguem voltar ao estudo, não garante efetivamente uma mudança em suas condições de vida. Apenas contribui para aumentar a desigualdade social, além de alienar os trabalhadores acerca da realidade em que estão inseridos. É preciso uma educação que problematize o cotidiano, que vá além das condições sociais colocadas pelo mercado (MESZAROS, 2005).

O grande desafio está em criar uma escola de qualidade para jovens e adultos em função das especificidades desses sujeitos. Levando em conta o reconhecimento dos espaços de produção de saberes na sociedade e possibilitando o acesso aos bens culturais produzidos historicamente.

Através desse estudo, pretende-se refletir os conceitos e as praticas avaliativas como elemento do processo que só se completa com a possibilidade de apontar caminhos mais adequados para a construção do conhecimento.

A Lei n° 9.394, de 20 de Dezembro de 1.996, estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no seu artigo 9º, ordena que União incumbir-se-á de: VI – assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com os sistemas de ensino, objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino.

O parecer CNE/CEB 11/2000 homologou as diretrizes que irá viger a educação de jovens e adultos (EJA). A EJA, de acordo com a Lei 9.394/96, passando a ser uma modalidade da educação básica nas etapas do ensino fundamental e médio.

Os exames da EJA devem primar pela qualidade, pelo rigor e pela adequação. Eles devem ser avaliados de acordo com o art. 9º, VI da LDB. É importante que tais exames estejam sob o império da lei.

1 AVALIAÇÃO DOS ALUNOS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Por definição a educação é o ato de transmitir conhecimentos que levam ao desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano envolvido no processo.

Educação e instrução são termos diferentes, distintos entre si; de fato, a instrução é apenas uma parte da educação, onde o caráter essencial é o modo de preparar o individuo, moldando a sua personalidade, melhorando e corrigindo os defeitos e preparando o educando quanto aos aspectos principais da educação; isso envolve profundamente as boas maneiras, respeitos, e conduta do educando.

Segundo Brandão (1995, p.7): Ninguém escapa á educação; em casa, na rua, na igreja, na escola; envolvem pedaços de vida, aprender, ensinar a ensinar e ensinar a aprender, para saber fazer no convívio diário. [sic]

Assim, a educação se constitui prática que acontece no dia-a-dia das pessoas. Isto que dizer que não se limita à sala de aula, mas abrange a vivencia da educação no seu entorno.

Segundo a Lei n° 9.394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em seu art. 2° a educação, envolver família e o Estado e deve ser nos princípios de liberdade, e nos ideais de solidariedade humana, pautada na finalidade que se finca no desenvolvimento global do discente: seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

É inerente ao homem o imperativo de crescer para melhor. Essa possibilidade de uma porta aberta ao homem é chamada de educação.

Através da educação o homem, não apenas assume a condição de abertura, novos horizontes, mas, sobretudo, supera-se, atualiza capacidades e potencialidades.

Cabe ao professor decidir sobre o método a usar e quase as técnicas mais adequadas a fim de conseguir execução das atividades didáticas próprias da aprendizagem. É, portanto, tarefa do professor programar experiências de aprendizagem; esta organização deve obedecer a critérios previamente definido.

É função precípua do professor, ser condutor do processo avaliativo exercendo com isenção; sua intervenção é diretamente incubada ao crescimento da maturidade do aluno a seu encargo. Os alunos acham muitas coisas, mais não podem ficar no achismo. Em principio supõe que professor tenha mais domínio sobre certo saber e tenha mais experiência para adequar as técnicas.

É de se expressar que todas as técnicas temas e conteúdos depende da habilidade didática eis que a formação profissional facilite e favoreça a aprendizagem dos seus alunos.

Convém ao professor conhecer e dominar as técnicas didáticas a serem efetivadas na sua pratica docente. Isso é requisito básico para concentrar energias nas dificuldades do aluno e não centrá-las em si mesmo. Qualquer técnica só terá êxito se aplicada com espontaneidade e segurança, ou seja, o professor deve saber exatamente o que esta fazendo.

No processo ensino-aprendizagem, a característica mais significativa é a participação efetiva do aluno; é possível concretizar uma aprendizagem consciente. O conjunto de ações com objetivo de avaliar o aluno deve levar em consideração às experiências vivenciadas na sala de aula.

A aprendizagem é um processo fundamental da vida. Todo indivíduo esta sucinto a aprender e, ao processo de novas experiências que leva a formação de novos hábitos, que possibilita viver. Todas as exigem os indivíduos humanos convivendo em comunidade são sujeitos às regras, de aprovação e reprovação atitudinais.

Avaliar é para identificar o que e o quanto o aluno aprendeu. Posso dizer que o professor avalia para informar-se sobre a aprendizagem do aluno e, a partir dos resultados, propor a as ações didática pedagógica necessária ao crescimento humano, tais como reforço, e não a mera domesticação do individuo discente.

A avaliação deve servir para identificar o desempenho dos alunos a fim de levar os aprendizes à construção de novos comportamentos.

Na comparação com critérios usamos parâmetros para verificar os resultados alcançando em relação aos resultados.

A avaliação é um processo conjunto que envolve: comunidade, escola, família, professor e aluno.

A função básica da avaliação é a coleta e interpretação dos dados para informar ao professor sobre rendimento e aproveitamento do aluno, pela comparação entre os resultados. Estes alcançados representam a aprendizagem dos alunos e os esperados então especificados nos objetivos de ensino.

Avaliar implica no julgamento sobre as qualidades, habilidades, e atitudes do aluno.

O ato de ensinar determina como uma atividade deve ser indicada apontando caminhos para a elaboração de assuntos a serem executados.

A avaliação da aprendizagem do aluno tem sido objetivo de análise por parte dos estudiosos do processo de ensino-aprendizagem.

Neste sentido, se considerarmos a natureza social e a função socializadora da educação escolar esta terá como razão ultima promover o desenvolvimento humano. Promover o desenvolvimento humano significa intervir neste desenvolvimento, dando lhe um determinado sentido. Os instrumentos avaliativos deverão assumir características mais conducentes com a realidade de nossas escolas, tais como: resgatar a identidade do aluno, trabalhar na sua alta estima, valorizar suas experiências de vida e principalmente, conceber o aluno como sujeito deste processo, como ser pensante, critico e criativo. Como e quando o professor utilizara este ou aquele instrumento? A tomada de decisão deve ser feita ao realizar o planejamento, isto é, na formulação das situações de ensino e dos seus desdobramentos para o trabalho na sala de aula. Existem muitos instrumentos de avaliação que podem ser utilizados pelo professor e pelo coletivo da escola, com o objetivo de envolver o próprio aluno no processo avaliativo. Dentre os instrumentos avaliativos mais usuais nas instituições de ensino temos: fontes de coletas de dados para a avaliação dos educandos com a finalidade de certificar de que maneira se estrutura o conhecimento.

O ato de avaliação implica a coleta, análise e interpretação, dos dados que configuram a modalidade como instrumento de observação feita tanto em relação aos professores, pais, alunos, quanto à própria sociedade que parece classificar conforme o nível de escolaridade.

Para o docente a complexidade do ato de avaliar é árduo, visto que,  não existe avaliação sem relação social e sem comunicação interpessoal tratando-se de um mecanismo do sistema de ensino que converte as diferenças culturais em desigualdades escolares. “Ex Vi” a lição do sublime professor Luckesi:

Toda verificação é uma forma de avaliação, mas nem toda avaliação resulta da verificação. Ninguém aprende para ser avaliado, nós aprendemos para termos novas atitudes e valores. No palco da vida a avaliação é o meio e nunca fim do processo de ensino, não deve se comprometer em ajuizar, mas reconhecer no processo de ensino, a formação de atitudes e valores.

De acordo com os ensinamentos do renomado Calhau (1999) as décadas de 80 e 90 introduziram novos rumos nas formas de avaliação, pois neste lapso de tempo tornaram evidentes elementos que mostravam a desigualdade, a exclusão confrontando-se com estudiosos que trabalhavam em favor de uma escola democrática tanto é que a função da avaliação tem sido essencialmente classificar atribuindo notas aos discentes.

A junção da Avaliação e planejamento tornam-se uma pratica pedagógica continua o professor avalia atuando junto aos alunos, família e comunidade.

Antes de planejar é necessário observar para registrar de forma continua experiências e êxitos significativos. Esse procedimento de avaliação permite que os alunos participem da formulação dos objetivos de sua aprendizagem e avaliar seu progresso.

Avaliação sem relação social, sem a participação ativa do aluno trata-se de um mecanismo de ensino que evidenciam as desigualdades sociais existentes na escola.

A verificação é um momento importante para professor e escola diagnosticarem as realidades existentes na comunidade discentes e planejar uma ação pedagógica dentro da comunicação interpessoal.

Por outro lado uma análise do processo de avaliação mostra que:

Não existem medidas automáticas, avaliações sem avaliar nem avaliado, nem se pode produzir um estado de instrumento e o outro ao de objeto. Trata-se de atores que desenvolvem determinadas estratégicas, para qual a avaliação encerra uma aposta, sua carreira, sua formação. O professor e o aluno se envolvem num jogo complexo cujas regaras não estão definidas em sua totalidade, que se estende ao longo de um curso escolar e no qual a avaliação restringe-se a um momento. (PERRENOUD. 1990. p. 18).

Na educação de Jovens e adultos deve-se procurar avaliar o aluno de uma forma na qual ele possa acompanhar seu progresso, evidenciando assim seu nível de aprendizagem e tornando o aluno um participante ativo do processo de ensino aprendizagem. Vale frisar que o avaliador deve pautar a verificação dentro dos princípios da construção, da reflexão, da criatividade, da parceria, da auto avaliação e da autonomia, pois, estes indicam que o envolvimento do aluno é crucial no trabalho com a avaliação.

A avaliação de um discente da Educação de Jovens e adultos não é apenas aplicar provas, é verificar o desenvolvimento de sua aprendizagem, o seu progresso dia-a-dia. É importante identificar e compreender as etapas que constituem o exame avaliativo, compreender os erros cometidos os sucessos alcançados. Trabalhar na Educação de Jovens e Adultos é diferente, pois, a verdade é que o avaliador deve ouvir os alunos sobre o exercício sobre as notas dos seus aprendizes assim dessa forma os alunos acabam armazenando os seus conhecimentos e aprendizados que conquistaram ao longo do semestre. O espirito verdadeiro da avaliação com base na parceria tem significado de alta importância, visto que o aluno passa a ser o eixo de si mesmo, trabalha com afinco orgulha-se do que faz e constrói e o professor pode acompanhar o processo ensino-aprendizagem como um instrumento para avaliar o desempenho do aluno utilizando as informações obtidas para rever seus procedimentos e replanejar o seu trabalho.  Esse procedimento não se restringira a mera aferição e verificação do aluno ao longo do período avaliado.

Sendo assim a avaliação é uma das etapas do processo de ensino-aprendizagem, sendo parte integrante do mesmo processo. Planejando a disciplina é necessário definir e estabelecer as técnicas a serem empregadas, refletindo os objetivos elencados para determinar o momento do exame avaliativo dos alunos.

A função nuclear da avaliação é ajudar o aluno a aprender e ao professor, ensinar. (PERRENOUD, 1999), determinando também quanto e em que nível os objetivos estão sendo atingidos. Para isso é necessário o uso de instrumentos e procedimentos de avaliação adequados. (LIBÂNEO, 1999, p. 204)

Ressalta-se que o valor da avaliação encontra-se no fato do aluno está livre da tensão característica do exame avaliativo, além de não restringir a uma situação pontual da vida do aluno, gerando uma interação entre professor e aluno, produzindo um marco histórico de maturação existencial e acadêmica.

No entender de Luckesi (1999, p.43): “para não ser autoritária e conservadora, a avaliação tem a tarefa de ser diagnóstica, ou seja, deverá ser o instrumento dialético do avanço, terá de ser o instrumento da identificação de novos rumos”.

Para o autor supracitado: “a avaliação deverá verificar a aprendizagem não só a partir dos mínimos possíveis, mas a partir dos mínimos necessários”.(p.44).

Registra-se também a importância dos critérios, pois a avaliação não poderá ser praticada sob dados inventados pelo professor, apesar da definição desses critérios não serem fixos e imutáveis, modificando-se de acordo com a necessidade de alunos e professores.

Enfim é importante salientar que a família e a escola são pontos de apoio e sustentação para o ser humano, o acompanhamento e a participação dos pais na educação formal dos filhos deve ser contínua e de forma consciente e, a avaliação deve ser de forma transparente e participativa. Assim sendo irá colaborar para a melhoria da educação escolar.

NO PRÓXIMO ARTIGO CONHEÇA:

1.1       QUANDO E COMO AVALIAR

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