Balanço Paraolímpico

Petrúcio emocionado no pódio no Engenhão. Foto: Gabriel Heusi/Brasil2016.gov.br

O Rio foi sede da XV Paraolimpíada de verão, realizada entre os dias 07 e 18 de setembro de 2016. Os jogos Paraolímpicos são para os atletas portadores de deficiência física, que mesmo com dificuldades, provam que são capazes de muitas façanhas, como foi visto aqui no Rio. A cidade foi escolhida em 2009, no mesmo ato em que foi escolhida as Olimpíadas, já que hoje, quem sedia os jogos, também se compromete a sediar os jogos Paraolímpicos. Os jogos foram criados para dar instruções às primeiras mulheres esportistas portadoras de deficiência, eles aconteceram no hospital de Stoke Mandevilenum, na Inglaterra em 1948. Roma em 1960, foi à primeira cidade a realizar os jogos Paraolímpicos, que hoje são cada vez mais em destaque na imprensa internacional.

A coragem. a determinação, a inspiração e a igualdade foram os valores dos jogos do Rio, que tiveram como refrão ” Espírito em movimento”, que foi introduzido para os jogos de Atenas 2004. O Brasil não foi tão bem no desempenho dentro de casa, mas bateu os recordes de medalhas: 72; 14 ouros; 29 pratas e 29 bronzes, ficando na 8ª colocação, uma a menos do que Londres, onde ficou em 7º com 42 medalhas, sendo 21 delas de ouro. Antes do Rio, o melhor desempenho tinha sido em Pequim 2008, onde o país ganhou 16 ouros; 14 pratas e dezessete bronzes, ficando na 9ª colocação. A  primeira vez que o nosso país participou de uma Paraolimpíada foi em Montreal no ano de 1976, mas só ganhamos nossa primeira medalha em 1980, em Moscou.

Como já se sabe, os jogos foram criados para incluir atletas com deficiência no meio esportivo, mas a cada edição, vêm ganhando mais e mais importância, a ponto de alguns dizerem que os Paraolímpicos já são a segunda maior  competição do mundo, ficando apenas atrás das Olimpíadas. Acho isso um exagero, mas alguns países têm comitês em quase todas as suas cidades, para que pessoas com deficiências, possam se tornar atletas e ganhar competições internacionais. O Brasil gastou mais de 400 milhões de reais para treinar os nossos atletas, mas o resultado não foi o esperado, pois Daniel Dias, Terezinha Guilhermina e André Brasil, ficaram abaixo do esperado, e nossos estoques de ouro, minguaram, só foram 14, contra 21 de Londres, mas ganhamos mais pratas e bronzes, devido à nova geração que vem aí.

O Brasil gastou mais de quatro bilhões de reais em estrutura Olímpica e Paraolímpica, para que nossos atletas tenham um desempenho parecido com potências como China e Ucrânia, que impressionaram e foram alvos de críticas por parte dos dirigentes brasileiros. A China ganhou incríveis 107 medalhas de ouro; 81 pratas e 51 bronzes; 239 no total, mas esse tipo de coisa incomoda muita gente, o certo seria otimizar os recursos disponíveis e representar melhor nossos atletas em competições internacionais, aí sim, visualizar um futuro melhor para o nosso esporte Paraolímpico. Espero que atletas da nova geração possam substituir Clodoaldo Silva, Daniel Dias e Terezinha Guilhermina, e o país ficar entre os dez melhores no ranking de medalhas. Além do mais, temos de mostrar ao nosso povo que esses atletas fazem coisas maravilhosas, difícil de se imaginar; hoje em dia,se fala muito em inclusão social, os jogos são a grande oportunidade para que as pessoas possam ver o desempenho de nossos atletas.

A Paraíba teve seu nome representado no mais alto do pódio paraolímpico, trata-se de Petrucio Ferreira dos Santos, 19 anos, natural de São José do Brejo do Cruz, região de Catolé do Rocha. Ele ganhou a prova nos 100 m T47 para amputados, no dia 11 de setembro no Engenhão, palco do Atletismo. Confesso que não aguentei ao ver o jovem de 19 anos chorar ao ouvir o Hino Nacional, saber que um sertanejo pobre bater um recorde mundial em sua classe, foi demais para mim, pois nunca tinha visto um paraibano fazer esse tipo de façanha, espero que em Tókio 2020, ele faça das suas e traga mais ouro para o país. Terminado os jogos, ficará para a sociedade carioca ou do Brasil a conta a ser paga nesse empreendimento, que muitos defendem, mas vemos o Rio ser comido pela violência e pelo caos na Saúde e Educação, já que os índices divulgados recentemente, mostram que ainda estamos muito longe das maravilhas que os políticos tanto apregoam.

 

Hugo Ferreira Pinto/Colunista de Esportes

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