CAJAZEIRAS: DAS ORIGENS AOS 150 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

Em 22 de agosto de 2013, Cajazeiras completa mais um aniversário de emancipação política. São 150 anos de muitas histórias…

Desmembrado do município de Sousa em 1863, o nome “Cajazeiras” faz referência a uma fazenda fundada no século XVIII por Luiz Gomes de Albuquerque, onde existiam várias cajazeiras, árvores que produzem o cajá, plantadas. Nos dias atuais, Cajazeiras é a principal cidade da região do Alto Piranhas e polariza quinze municípios do extremo oeste da Paraíba. Possui uma cultura diversificada, realizando diversos eventos anualmente, como o Carnaval e o Festival Estadual de Teatro, e possuindo várias atrações, como o teatro Íracles Pires.

Segundo relatos de documentos antigos, datados do século XVIII, as terras localizadas à margem da Lagoa de São Francisco foram, por meio de uma sesmaria, cedidas aos proprietários Francisco Gomes Brito e José Rodrigues da Fonseca pelo governador da capitania da Paraíba, Luiz Antônio Lemos Brito. Treze anos mais tarde, em 07 de fevereiro de 1767, José Jerônimo de Melo, outro governador da capitania, doou parte dessas terras para o pernambucano Luiz Gomes de Albuquerque, que mais tarde fundou a Fazenda Cajazeiras (também por vezes denominada Sítio Cajazeiras). Essa fazenda foi doada pelo seu fundador a uma de suas filhas, Ana Francisca de Albuquerque, após o seu casamento com Vital de Souza Rolim, membro de uma família tradicionalcearense vinda de Jaguaribe. Com a doação, o local tornou-se uma grande fazenda de gado. Em 1804, próximo ao sítio, foi construída A Casa Grande da Fazenda (uma residência) e o Açude Grande (que servia para abastecer a população local, bem como para a criação de animais)

Da união matrimonial entre Ana e Vital, nasceram alguns filhos, entre os quais destaca-se Inácio de Souza Rolim, nascido no Sítio Serrote em 22 de agosto de 1800 e ordenado como sacerdote no Palácio Episcopal de Olinda, em Pernambuco, em setembro de 1825. Quase quatro anos depois, em 1829, o padre Rolim funda a “Escolinha de Serraria”, que tem ligação direta com a fundação de Cajazeiras. Essa pequena escola começou a crescer a partir de 1833, atraindo estudantes do local e de outras regiões. Em 1834, Ana de Albuquerque funda uma capela, dedicada à sua devota Nossa Senhora da Piedade, que hoje corresponde à Catedral de Nossa da Piedade. Dois anos depois, a Escolinha de Serraria, que havia sido construída em uma casa feita de madeira, mudou-se para uma nova casa, agora feita de alvenaria. Sete anos depois (1843), o padre Rolim muda-se para seu sítio de origem, onde ainda residiam seus pais, e funda um colégio de salesianos (hoje Colégio Nossa Senhora de Lourdes), que também atraiu vários estudantes e até mesmo personalidades, entre elas oPadre Cícero (vindo de Juazeiro do Norte, Ceará). Além dele, outras personalidades também estudaram lá e passam a residir nas imediações do colégio, sendo, por isso, o motivo pelo qual Cajazeiras é referida como “A terra que ensinou a Paraíba a ler“. Essas residências deram origem a uma cidade, com o nome de “Cajazeiras” (em referência à antiga fazenda fundada por Luiz Gomes de Albuquerque e onde estavam plantadas vários pés de cajá), que foi fundada em 22 de agosto de 1863 pelo padre Rolim, no dia do seu aniversário.

Quatro anos antes, em 29 de agosto de 1859, Cajazeiras já era um distrito (criado pela lei provincial nº 5), pertencente ao município de Sousa. Em 23 de novembro de 1863, três meses após a fundação de Cajazeiras, a lei provincial nº 92 eleva o distrito à categoria de vila e o desmembra de Sousa, tornando-se município. No mesmo dia foi instalada a Câmara Municipal. Em 20 de junho de 1864, ocorreu a instalação do governo municipal, que foi assumido pelo vereador e presidente da Câmara, o sacerdote e vigário paroquial José Tomaz de Albuquerque. Como vila, o município passou um dos momentos mais agitados de toda a sua história, de forma política com o desentendimento entre políticos conservadores e liberais, e com a ocorrência de alguns episódios, como o assassinato dotabelião Leandro Soares. Finalmente, em 10 de julho de 1876, através da lei provincial nº 616, a vila é elevada à condição de cidade. Segundo o historiador cajazeirense Deusdedit Leitão, nos anos de 1844 e 1845, antes mesmo de se tornar distrito, Cajazeiras já vinha ganhando espaço no jogo político da Paraíba, com a eleição do bacharel Manoel de Sousa Rolim como deputado. No ano de 1914, Cajazeiras ganhou uma diocese, no mesmo local onde Ana de Albuquerque construiu uma capela, que foi escolhida para ser a catedral. No ano seguinte, o município foi atingido por uma das mais graves secas ocorridas no país.

Da fundação até primeira metade do século XX, a divisão administrativa do município permaneceu inalterado. Pela lei estadual nº 424 e pelo ato municipal anterior a 2 de março de 1938, foram criados os distritos e anexados a Cajazeiras os distritos de Cachoeiras dos Índios e Engenheiro Ávidos. Em 06 de setembro de 1957 (lei estadual nº 185), Cajazeiras ganhou mais um distrito, com o nome de Bom Jesus. Em 1961, foi desmembrado e elevado à categoria de município o distrito de Cachoeira dos Índios e, em 1963, o mesmo aconteceu com o distrito de Bom Jesus. Em 1978, foi criado o distrito de Catolé dos Gonçalves, apesar de não ter sido oficialmente instalado. Até os dias atuais, o município de Cajazeiras é formado por dois distritos: Cajazeiras (onde está localizada a sede municipal) e Engenheiro Ávidos. Recentemente a Câmara de Vereadores aprovou a criação do Distrito de Azevém, importante comunidade da zona rural de Cajazeiras.

Cajazeiras está situada na região oeste do estado da Paraíba, limitando-se, em sentido horário, com os municípios de São João do Rio do Peixe (a norte e a leste), Nazarezinho (a sudeste), São José de Piranhas (a sul), Cachoeira dos Índios, Bom Jesus (os dois últimos a oeste) e Santa Helena (a noroeste). A área do município, distante 468 quilômetros da capital estadual (410 km em linha reta), é de 565,899 km². Pertence à mesorregião do Sertão Paraibano e à microrregião de Cajazeiras e é o município-sede da Região Metropolitana de Cajazeiras, instituída pela lei complementar estadual nº 107, de 08 de junho de 2013, que reúne quinze municípios da Paraíba.

A altitude da sede municipal é de 295 metros acima do nível do mar. Cajazeiras está situada na Planície Sertaneja, formada por pediplanos e elevações residuais alongadas. As serras localizadas no município são: da Arara, do Balanço, do Cristo-Rei, das Marimbas, Serra do Serrote e Serra Vermelha, além do Morro do Cristo Redentor, onde está localizada a estátua de mesmo nome. O tipo de solo predominante é o bruno não cálcico, além de pequenas porções do latossolo vermelho-amarelo podzólico e dos vertissolos, formados, em sua maioria, pela desagregação e decomposição das rochas do embasamento cristalino. A vegetação predominante é a caatinga, do tipo xerofítica, com espécie de plantas de médio e pequeno porte, como arbustos e cactáceas. Os parques do município são o Antônio Cartaxo Rolim (de exposição), Bons Amigos, o Fabreu e o Xamegão. Possui duas unidades de conservação da Paraíba, ambas municipais e com bioma da caatinga, que são a Área de Proteção Ambiental Rosilda Cartaxo – criado pela lei municipal nº 1647, em 2006 – e o Parque Ecológico do Distrito de Engenheiro Ávidos – criado em 1997 pela lei municipal nº 1.147.

O município possui todo o seu território inserido na sub-bacia hidrográfica do Rio do Peixe, na bacia do Rio Piranhas e abriga dois importantes cursos de água do estado da Paraíba: o Açude Engenheiro Ávidos, com capacidade para 255.000 metros cúbicos de água (m³), e a Lagoa do Arroz, com capacidade para 94 481 m³. Outros cursos de água são os açudes Cajazeiras, Descanso e Escurinho, e os riachos do Amaro, da Caiçara, do Cipó, das Marimbas, do Meio, dos Mirandas, Papa Mel, Terra Molhada.

Situado na região do Polígono das Secas, o clima de Cajazeiras é semiárido, com temperaturas médias anuais entre 23ºC e 30ºC. As chuvas são escassas e irregulares, e são concentradas apenas em três ou quatro meses do ano, com uma pluviosidade média de 880,6 milímetros por ano. O mês mais chuvoso do ano é março, enquanto outubro é o mais seco.

De acordo com o Censo realizado pelo IBGE em 2010, Cajazeiras possui 58.437 habitantes. Sendo 47.489 habitantes na zona urbana, e 10.948 pessoas residindo na zona rural.

O comércio de Cajazeiras cresceu bastante na última década. Pessoas advindas, não apenas dos 15 municípios de sua região, mas também de outros estados, principalmente Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco, recorrem ao comércio de Cajazeiras diariamente. Essa movimentação contínua faz com que a população flutuante da cidade aproxime-se dos 95.000, sobretudo no período da manhã. Outra conseqüência do crescimento do comércio é a expansão da oferta de serviços. Clínicas, escolas, restaurantes, faculdades, etc., se espalham por Cajazeiras rapidamente.

Outro indício da evolução do comércio local é o crescimento contínuo do PIB e a arrecadação de ICMS, uma das maiores arrecadações do estado. A cidade está cercada de todos os lados por loteamentos arrojados. Empresas de grande porte em todo o Nordeste nasceram em Cajazeiras e hoje se destacam, a exemplo do Atacadão Rio do Peixe – a maior rede atacadista do Nordeste, o Armazém Paraíba – maior rede varejista de móveis e eletrodomésticos do Norte/Nordeste, a Ford Cavalcanti – Primo, entre outras empresas que crescem rapidamente.

Na indústria cajazeirense destaca-se o pólo têxtil. São diversas indústrias têxteis de porte considerável. No setor calçadista já existem algumas pequenas fábricas. Mas o setor que vem crescendo mais rapidamente na cidade é o de confecções. Um pólo desse setor está sendo instalado na cidade. Em fase de projeto está uma indústria de medicamentos, um investimento de 12 milhões de reais.

Parabéns a Cajazeiras pelo seu sesquicentenário de emancipação política. Parabéns a todos os cajazeirenses e cajazeirados, que contrariando o próprio censo comum, lutam dia-a-dia para fazer desta terra tão distante dos grandes centros, e constantemente castigada pelas intempéries, um lugar melhor para nossos filhos e netos.

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