Cajazeiras vive o seu pior momento na Radiodifusão.

Recordar é viver. É bom recordarmos a época áurea do Rádio Cajazeirense. A época do “GRANDE JORNAL”, jornal  apresentado diariamente ao meio dia, onde a  notícia era repassada aos ouvintes através de primorosas redações, reportagens com “pautas” definidas e improvisos de repórteres bem treinados, excelentes  montagens de tapes, além do sincronismo perfeito dos locutores.

É bom recordar do “Discoteca Dinamite”. É bom recordar do “Balancei a Paraíba”. É bom recordar do “Repórter Carvatra”, do “Correspondente Ford”, quantas saudades

Sim, recordar é viver. Por que não lembrarmos o grande Ferreira Lima com sua voz de veludo e sua excelente redação e dos seus melhores “pupilos”: Marcos Rodrigues e José Anchieta? Por que não lembrarmos o Walmir Lima, o Jucier Lima, Gilson Souto Maior, Geraldo Batista, Evandro Carlos, Barbosa da Silva, Antonio Malvino, Dulcílio Elias, Almair Furtado, J. Gomes, Alexandre Gomes, Zenildo Alcântara, Walter Cartaxo, Íracles Pires, Nonato Guedes, os irmãos Amaro, Gutenberg Cardoso, J. Júnior, Glériston de Oliveira, J. Campos (dizem que foi o melhor redator que passou por aqui!), do grande Zeilton Trajano e os seus famosos jargões: “O precioso Líquido” (quando falava em água) e “A minha linda Cajazeiras”, lembrando ainda, o nosso melhor repórter: Arruda Neto, detentor do primeiro título nacional para o rádio paraibano.

A radiodifusão Cajazeirense viveu um período muito profícuo, onde as rádios eram verdadeiras “escolas”, quantos profissionais espalhados, Brasil afora, passaram por aqui, principalmente na escola do professor Mozart. E como é bom recordar!

Infelizmente, esta época passou só nos restam lembranças. Atualmente, sofremos por solução de continuidade. Ainda temos bons profissionais, muitos deles talentosos, poderiam render muito mais, mas são vítimas do sistema que dita às falsas regras da radiodifusão. Um sistema opressor, que além de pagar mal, é comprometido.

Tivemos um retrato bem nítido do atual momento da radiodifusão cajazeirense, na última campanha política, onde ouvimos verdadeiras baboseiras. Os “territórios” foram nitidamente demarcados; se quiséssemos ouvir falar bem da situação e mal da oposição, escolhíamos determinada sintonia no dial, caso contrário, se quiséssemos ouvir falar bem da oposição e mal da situação, mudaríamos a sintonia. A força do rádio criou um clima messiânico à campanha, tornando os candidatos uns verdadeiros “salvadores” da pátria cajazeirense. As duas coligações foram transformadas em verdadeiras religiões, onde os candidatos se apresentavam ou eram apresentados como “Messias”, com intenção clara de manipular a massa acéfala, promovendo um fanatismo exacerbado, cego e burro. Parecia o bipartidarismo da ditadura. O terceiro candidato foi deixado às margens do processo.

A manipulação foi tão descarada que divulgavam sentenças sem serem julgadas pelos tribunais, repassando ao público suposições como se fossem sentenças definitivas. Muitas vezes, invertendo valores.

A meu ver, nenhuma emissora de rádio da nossa cidade pertence a políticos e sim, todas elas são concedidas (sim, concedidas porque rádio é uma concessão pública) a grupos empresariais. Então, por que não se pratica um rádio    independente? Será que essas emissoras só dependam das propagandas institucionais do Município ou do Estado? Será que os nossos radialistas, por serem mal remunerados se submetem aos políticos, tendo que buscar “virações”?

Será que é utopia minha sonhar com uma imprensa livre? Quem me dera ouvir um rádio livre! Livre das manipulações que agridem a nossa integridade, a nossa cidadania, a nossa inteligência, a nossa moral e a família. Quem dera ouvir um rádio livre das imposições da grande mídia, das gravadoras que impõem aos ouvintes músicas de péssima qualidade!  Reflitamos a nossa prática, é possível sim, fazer melhor.

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