“Crianças que choram serão atendidas por último”. Aonde chegaremos com a ineficiência dos serviços públicos?

Olá Leitores,

É com muita alegria e motivação que aceito o convite de escrever artigos de opinião para este site. Ao mesmo tempo em que me alegro nesta nova caminhada, também me preocupo em como atrair a atenção de vocês, leitores. Sei que assuntos não faltam, por isso, estarei sempre na busca de fatos que instiguem uma boa discussão.

Então, vamos lá,“começando pelo começo”, como dizem meus professores.Nestes dias, foi veiculado nos jornais de grande circulação, algo que muito me preocupou, mas antes de mencioná-lo quero trazer um breve relato de acontecimentos, vivenciados por muitas pessoas em uma das nossas Casas de Saúde.

Em meio à crise na Saúde Pública, que assola nossas vidas diuturnamente,seja por mau gerenciamento dos recursos ou por ineficiência das Administrações Públicas, vivencio momentos desagradáveis que afeta a vida de muitos pacientes, e esses fatos me preocupam: tanto como cidadão, quanto como pacientes e/ou usuários dessa Casa de Saúde. Não me estenderei ao mérito dessa questão, mas, apenas quero relembrá-lo para que fique registrada a incapacidade administrativa.

Primeiramente, na última gestão municipal, a Prefeitura entregou o Hospital Materno Infantil de Cajazeiras à UFCG. Por meio deste ato o Município Sertanejo transferiu suas responsabilidades para domínio federal, porém, o Governo Federal, por meio de resolução determinou que os recursos orçamentários, apenas seriam disponibilizados para os Hospitais, pretensos Hospitais Universitários, com a adesão à EBSERH. Para tanto, a UFCG não havia aderido a esta Empresa Pública, portanto, não receberia recurso federal.

Desde então, o Hospital Infantil passou por sérios problemas, chegando inclusive a não fornecer atendimento médico-hospitalar, por falta de médicos ou por estes se recusarem a atender, por não terem recebidos seus proventos.

Quando procurei mais informações sobre os responsáveis no hospital, foi alegado que os recursos não haviam sidos disponibilizados pela Prefeitura Municipal. Ao procurar os representantes municipais, os mesmo disseram que não é mais de sua competência, pois já existia um termo de doação deste Hospital à UFCG. É notório que esta responsabilidade foi jogada de um lado para o outro, como se fosse uma “bola de fogo”, e quem mais sofre são os usuários, que por ironia do destino, não são os administradores da Prefeitura ou os médicos desta Casa, mas as pessoas carentes e necessitadas, que não podem pagar por serviços particulares. Esse problema se estendeu até o período eleitoral, servindo como pauta de discussões nos debates eleitorais e nos palanques.

Mas, a solução veio meses depois, com a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta, famosa TAC, firmada entre a UFCG e a Prefeitura Municipal, ficando esta responsável por continuar disponibilizando recursos financeiros para esta Casa enquanto não houver a adesão. O tempo passou e a adesão finalmente, aconteceu no dia 30 de abril de 2014, por ato unilateral e heróico do Reitor da UFCG Edilson Amorim, que foi de encontro com a decisão do Conselho Superior, tendo até que ficar trancado no prédio da Reitoria, por causa das manifestações contrárias.

A adesão veio, mas os problemas ainda o perseguem. Recentemente, o agora Hospital Universitário Júlio Bandeira – (HUJB), passa por problemas de falta de atendimento, pois ainda não foram contratados servidores, por meio de concurso público, devido à demora da adesão. Para sanar esse problema,a Prefeita Dra. Denise Albuquerque, se sensibilizou com a situação de vulnerabilidade nos atendimentos e disponibilizou nas dependências da Policlínica de Cajazeiras, médicos pediatras para que essas crianças não fiquem desassistidas.

Enfim, o que traz a discussão não é a crise do HUJB, mas, um fato que aconteceu na pequena cidade goiana de Rio Verde, onde foi afixado nas dependências do Posto de Saúde da Família, um cartaz escrito que:“Crianças que choram serão atendidas por último”. Esse cartaz trouxe a indignação de muitos pais e de moradores daquela pacata cidade do sudoeste goiano e traz também a minha indignação à medida que me preocupo com os serviços públicos.

Isso me fez pensar, e se esta moda pegar e chegar aos confins do Brasil?O que será das nossas crianças que choram as dores de suas enfermidades e sofrem o desprezo da ineficiência pública, pois, se elas choram é porque não podem se expressar como os responsáveis por escrevera aquele cartaz.

Hoje é a falta de médicos, e se no futuro, eles pensarem em impedir o atendimento de uma criança que chora?

Aqui, registro meu repúdio e deixo o meu alerta aos Administradores Públicos, pois estarei vigilante e atento a qualquer ato indevido, pois não me permito calar, deixando com que a população sofra ainda mais com o descaso público.

Ainda bem que eu posso falar, caso contrário iria chorar e chorar muito.

 

Por/Lucas Vialli Batista Miranda

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