Defender o indefensável?

Talvez impactado pela gravidade das revelações feitas na 5ª fase da operação Calvário, que lhe custou mais dois secretários e outros auxiliares, o governador João Azevedo não quis comentar as descobertas do Gaeco/MPPB, que apontam que a corrupção descoberta na Saúde também havia contaminado a Educação, a Administração e outros setores do governo.

Quem esperava que o governador tomasse uma posição firme, capaz de distanciá-lo do problemão que compromete a imagem e o governo do antecessor, Ricardo Coutinho, vai ter que esperar mais. Tudo o que ele disse foi: “O Ministério Público faz o papel dele e o Executivo faz o papel que lhe cabe”.

Como disse a deputada Camila Toscano (PSDB) na Assembleia, “é impossível defender o indefensável”. E as investigações do Gaeco estão nessa categoria. Revelam que o governo teria pago propinas de até 15% do valor para garantir contratos com o que chama de organização criminosa.

Um exemplo: em contrato de R$ 55,5 milhões, a CGU identificou sobrepreço de R$ 17.210.358,75. Os materiais e equipamentos licitados, pelo preço normal custariam no máximo R$ 38.289.649,40 e o governo pagou 44,94% a mais.

Camila Toscano não poupou o governador: “É vergonhoso ter secretários afastados não porque João Azevêdo exonerou pela sua caneta, mas por conta da Polícia Federal”.

Já o deputado Cabo Gilberto voltou a cobrar apoio para a instalação da CPI do Calvário. Segundo ele, falta apenas uma assinatura. “É a nossa obrigação debatermos isso, fiscais do povo e defensores da sociedade que somos.”

Também cobrou posicionamento de João Azevedo, argumentando que se “o governador quer ser diferente de Ricardo Coutinho, precisa tirar todos os envolvidos na Calvário, e não esperar que sejam presos para exonerá-los, como vem acontecendo”.

Elogios o deputado guardou para o desembargador Ricardo Vital, relator do caso no TJPB, considerado “o Sérgio Moro da Paraíba”, que ”não teve medo de encarar os criminosos”.

Considerando o que é dito nas redes sociais, a população também já separa os mocinhos dos malvados.

 

Lena Guimarães/Jornal Correio da Paraíba
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