Em nossas mãos

O Brasil é um país fantástico. Como já andei por todos os continentes, afirmo que o nosso tem diferenciais que o tornam único. Deveríamos ser orgulhosos da herança recebida e confiantes em relação ao futuro.

Usei o condicional – deveríamos – porque na verdade estamos focados no que existe de negativo neste momento no País – a política, os políticos, a corrupção e a crise persistente – e esquecemos que temos pelo que lutar; temos o que defender.

O Brasil não é apenas o país onde ocorreu o maior escândalo de corrupção do mundo, resultando no impeachment de um presidente, na condenação e prisão de outro, bem como de vários megaempresários.

Temos este fato a lamentar, mas temos do que nos envaidecer. Somos um país riquíssimo. E não falo apenas do aspecto cultural (do samba, do forró e do frevo), ou da gastronomia (de feijoada acompanhada da caipirinha, da carne de sol, da tapioca, do acarajé baiano ou do pão de queijo mineiro).

Também não me refiro aos esportes, a exemplo do futebol de muitos ídolos que fizeram o Brasil conhecido no mundo, nem das nossas lindas cidades e belas praias.

Somos muito mais. Somos o 5° maior país do mundo, com significativa variedade de biomas, e graças a eles, abrigamos a maior biodiversidade do planeta. Estão aqui mais de 20% do total de espécies da Terra.

Fica na nossa Amazônia o aquífero Guarani, a maior reserva de água doce e potável do mundo.

Somos considerados o celeiro do planeta.Temos a maior área cultivável e a nossa agricultura é de primeiro mundo. Segundo estudos da Embrapa, alimentamos mais de 1,2 bilhão de pessoas.

Só a produção de grãos pode sustentar quase 900 milhões, sem falar nas mais de 40 milhões de toneladas de frutas, 35 milhões de toneladas de tubérculos e raízes, 10 milhões de toneladas de hortaliças, 34 milhões de toneladas de açúcar, 35,2 bilhões de litros de leite, 25 milhões de toneladas de carne…

Deixei a maior riqueza por último: o povo, bom, trabalhador e muito criativo. Predominantemente de coração puro, que enxerga sempre o melhor nas pessoas, ao ponto de ser enganado.

Nós temos um problema político, que impacta a economia e a qualidade de vida do brasileiro, e a origem está justamente na avaliação, distorcida pela boa-fé, que os brasileiros fazem dos candidatos na hora de escolher os que vão nos governar ou legislar e fiscalizar no Congresso Nacional e nas Assembleias.

Diz-se que a memória do brasileiro é curta em relação aos votos dados. Ainda bem, porque muitos se envergonhariam das escolhas feitas.

Tem uma frase do genial Albert Einstein que explica muito bem esse contexto: “O mundo é um lugar perigoso de se viver não por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer”.

Quando votamos em quem sabemos que não tem os valores, a competência e o compromisso de trabalhar pelo bem do País e dos brasileiros, estamos deixando o Brasil mais perigoso.

Nosso destino, o que nos reserva os próximos quatro anos, será definido no dia 7 de outubro. Por nós. Será de acordo com as nossas opções.

Podemos escolher uma solução para a crise política e passar a viver no Brasil real, que trabalha, produz e oferece perspectivas de bom futuro, ou podemos continuar lamentando.

Faltam apenas 70 dias para as eleições. Está em nossas mãos.

 

29 de julho de 2018

Roberto Cavalcanti/Portal Correio
COMPARTILHAR