Esperado pelo grande dia!

Usain Bolt e o jornalista australiano no voo (Foto: Reprodução/Instagram)

No próximo 5 de agosto, começarão os jogos olímpicos do Rio, que colocarão nosso país nos principais veículos de comunicação  do mundo em um assunto que não seja violência e miséria. O Rio foi escolhido em 2009 como cidade sede para os jogos de 2016, naquele tempo o país vivia uma euforia de ser potência mundial, pois já tinha sido escolhido para sediar à copa do mundo em 2007.

Em junho de 2013, houveram vários protestos no país contra à copa e contra os jogos, mas o sentimento de euforia permaneceu, já que os eventos eram constantemente apoiados pela classe política, por alguns empresários ligados ao governo, como também por grande parte da imprensa, interessada em colocar a mão nesse quinhão. Durante as manifestações, os jogos olímpicos foram menos criticados do que à copa, pois o torneio futebolístico estava bem mais próximo, e o futebol no Brasil, sempre foi mais visado em relação a qualquer outra coisa.

Em 2014, porém, o COI – Comitê Olímpico Internacional – declarou que os preparativos dos jogos eram os piores de todos os tempos, se chegou até a falar em um plano B. Esse tipo de coisa é terrível para um país que quer sediar eventos internacionais, mas a realidade é que os políticos interessados em mostrar o Brasil maravilha não se desanimaram e disseram que os jogos estavam garantidos e que no final tudo daria certo, como tudo nesse país.

A alegação é que uma cidade que sedia eventos internacionais, ganha sempre com o tal legado dos jogos: obras públicas de mobilidade, estrutura esportivas e obras ligadas ao meio ambiente. Outros mais animados dizem que o país sede desses eventos, fica constantemente na mídia internacional, atraindo turistas e investimentos privados; nessa aí eu não acredito, pois o Rio é uma cidade famosa, mas tem um grande obstáculo para desenvolver seu turismo por causa da violência.

Os críticos desses eventos internacionais avaliam que eles deixam mais problemas do que soluções, como foi o caso recentemente de Atenas em 2004, em que vários locais esportivos estão abandonados ou subutilizados. Montreal fez uma bela olimpíada em 1976, mas teve que pagar suas dívidas por cerca de vinte anos. No Rio, acho que não vai ser diferente, pois não vejo perspectiva a curto prazo para que o turismo se deslanche, já que a cidade antes dos jogos não tinha os leitos que o COI requeria , cerca de 40.000.

A solução foi alugar navios, motéis e casas de família que alugam quartos para espetáculos, como o famoso festival Rock in Rio. Muitas instalações esportivas serão desmontadas ou levadas para outro lugar, para servirem de treinamentos ou programas escolares para formação de atletas ou coisas similares. Fazer uma olimpíada também terá seus prós, já que é um evento considerado um dos maiores do mundo, e dá uma impressão de grandiosidade, mas pouca coisa o Rio ganhará como legado.

Faltando poucos dias para os jogos, os problemas já ficam evidentes com a chegada de atletas de outros países, que reclamam da falta de segurança, da poluição, dos preços exorbitantes cobrados em vários setores, que aproveitam o evento para ganhar mais, um conhecido vício nacional. Na baía da Guanabara, foram gastos mais de um bilhão de reais, mais ela continua imunda; hoje fiquei triste, ao ler uma notícia do New York Times, que dizia simplesmente que os atletas aquáticos vão nadar na merda. A despoluição da baía da Guanabara foi prometida para os jogos Pan americanos de 2007, mas passou longe de acontecer, mais uma promessa não cumprida.

As coisas no nosso país são de morrer de raiva, pois já se passaram dez anos das promessas do Pan e até agora nada foi feito, mas as águas da baía estão cheias de vasos sanitários, sofás, geladeiras e outros degetos, como falam os velejadores que as encontram durante os treinos.

A  vila olímpica já foi aberta no dia 24 de julho passado, e a nossa organização já mostrou para que veio, festa na inauguração, mas quando os atletas foram ocupar seus apartamentos, lá estava o nosso padrão tupiniquim de fazer as coisas: infiltrações, lixo, falta de janelas, fiação à solta, forro do teto caindo e outras coisas não citadas.

A delegação australiana foi a que mais reclamou, disse que seus atletas não iriam ocupar os quartos, pois eles estavam inabitáveis, e os mesmos corriam perigo de choque elétrico, já que a fiação estava à solta. Outras delegações pagaram serviços do próprio bolso ou hospedaram seus atletas em hotéis próximos,  assim, quando terminarem os reparos, já estarão prontos para os preparativos finais.

Os jogos do Rio segundo o Portal da transparência, vão custar 38,7 bilhões de reais, mas esses números são contestados por vários especialistas, que acham pouco diante das dificuldades. Na época da Copa, queríamos hospitais e escolas Padrão FIFA, hoje vivemos outros problemas, mas o povo parece que já se acostumou a ver tanta coisa ruim e não dizer mais nada, ou esqueceu ou é época de eleição, mas acho que tanto Copa quanto olimpíada, pouco nos dará para sermos vistos com uma imagem melhor em termos internacionais, o próprio prefeito do Rio já disse em entrevista que os jogos foram uma oportunidade perdida.

 

Hugo Ferreira Pinto/Colunista Esportivo

 

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