Excluidos

Estamos sempre de prontidão para, escandalizados, rasgar nossas vestes perante a violência das leis antigas, que enxotavam o leproso para fora da convivência social. Ao mesmo tempo, porém, deveríamos ficar envergonhados pela maneira como estamos tratando os “leprosos” de hoje.

Falamos, não apenas dos atingidos pela lepra, mas também da grande massa dos “diversos”: drogados, aidéticos, portadores de deficiências físicas ou mentais, crianças de rua, velhos abandonados, prostitutas, presidiários e ex-presidiários rotulados de perigosos…

Proibido tocar neles! Proibido deixá-los circular pelas praças publicas dos quarteirões “altos”! Proibido solidarizar ou negociar com eles!

Quer dizer que a sociedade moderna, com sua permissividade, primeiro criar a maior parte desses “diversos”. Depois, porém, os renega, os afasta de si, os exclui e os marginaliza. Mas esta sociedade não pode esquecer que é mãe natural de todos eles e que, à medida que os desampara, merece ser processada. Processada pelo próprio Cristo…j

Mas Cristo não vem apenas contestar e processar a sociedade. Vem também despertar a consciência dos excluídos, para que deixem de se considerar legitimamente excluídos, para que não aceitem sua condição de excluídos. E para que fiquem no meio dos excluídos…

Por amor aos “diversos”, varias vezes Jesus violou a lei dos Judeus. Pagou por isso, sendo tratado como um deles: excluído das sinagogas, obrigado a nascer e morrer “fora da cidade”. Poucos acreditaram que, sob as aparências de um “diverso” fracassado, se escondia o próprio Filho de Deus.

Filho de Deus que continua se escondendo também nos excluídos de hoje…

Antonio Pereira dos Anjos.

27.03.2013.

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