Imprensa livre, um sonho distante!

Toda democracia que se preza apoia a existência de uma imprensa livre, um Poder Judiciário independente, uma sociedade civil num Estado de Direito e liberdade de expressão.

Numa democracia, a imprensa não deve ser controlada pelo governo. Os governos democráticos não têm ministros da informação para decidir sobre o conteúdo dos jornais nem sobre as atividades dos jornalistas; não exigem que os jornalistas sejam investigados pelo Estado; nem obrigam os jornalistas a aderir a sindicatos controlados pelo governo.

Nas democracias, o governo é responsável pelos seus atos. Os cidadãos esperam, portanto, ser informados sobre as decisões que os seus governos tomam em seu nome. A imprensa facilita o “direito de saber”, agindo como supervisor do governo, ajudando os cidadãos a responsabilizar o governo e questionando as suas políticas. Os governos democráticos garantem o acesso dos jornalistas a reuniões públicas e a documentos públicos. Não colocam restrições prévias sobre aquilo que os jornalistas podem dizer ou escrever. Infelizmente, não é o que acontece no nosso país. Os Governos, em todos os níveis, sorrateiramente e estrategicamente, usam e manipulam a imprensa de acordo com seus interesses, em detrimento ao direito que o cidadão tem de ser bem informado.

Em se tratando de Cajazeiras, a imprensa tem sido manipulada e sempre foram, por grupos dominantes, detentores das concessões, principalmente no rádio, se vendendo aos poderes públicos, informando somente aquilo que agrada a estes, escondendo verdades, numa tentativa de manipular a consciência da população. É vergonhoso o que se lê nos Sites, blogs, revista, jornais e principalmente, o que se escuta no rádio. Temos uma imprensa dominada por grupos “amigos do poder”, que não querem nunca se opor ao poder executivo, em troca de propagandas institucionais e de verbas “extras”, lógico, tudo em troca do silêncio ou da manipulação. Apesar de termos bons profissionais, muitos deles talentosos, poderiam render muito mais, mas são vítimas do sistema que dita às falsas regras da radiodifusão e da imprensa de modo geral; um sistema opressor, que além de pagar mal, é comprometido.

As emissoras de rádio da nossa cidade não pertencem a políticos e sim, todas elas são concedidas (sim, concedidas porque rádio é uma concessão pública) a grupos empresariais. Então, por que não se pratica um rádio  independente? Será que essas emissoras só dependam das propagandas institucionais do Município ou do Estado? Será que os nossos radialistas, por serem mal remunerados (sim, o piso salarial dos profissionais do rádio é vergonhoso) se submetem aos caprichos dos políticos, tendo que buscar “virações” para terem uma razoável qualidade de vida?

A própria imprensa deve agir com responsabilidade. Através de associações profissionais, de conselhos de imprensa independentes, de críticos internos que escutam reclamações públicas, a imprensa responde às reclamações sobre os seus próprios excessos e permanece responsável internamente.Uma imprensa livre informa o público, responsabiliza os dirigentes e proporciona um fórum para o debate das questões locais e nacionais.Os órgãos de imprensa devem estabelecer os seus próprios corpos editoriais, independentes do controle do governo, a fim de separar a obtenção e divulgação da informação do processo editorial.

A democracia exige que o público faça escolhas e tome decisões. Para que o público confie na imprensa, os jornalistas devem relatar fatos com base em fontes e informações fidedignas. O plágio e as informações falsas são contraproducentes para uma imprensa livre.

Redação/Professor Afonso Junior

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