Mais que um mito

O lendário boxeador Muhammad Ali deixou registrado um grande número de vitórias no ringue/Reprodução Facebook
O mundo perdeu neste quatro de junho seu mais importante pugilista, vítima de um choque séptico, Muhammad Ali se foi para o trono dos Deuses, depois de enfrentar o Mal de Parkinson por 32 longos anos. Ali era nascido Cassius Marcellus Clay, em Louisville Kentucky, começou sua carreira com o treinador e chefe de polícia Joe Martin, que o colocou no boxe. A  partir daí, começou sua vitoriosa carreira, com seis títulos estaduais e dois nacionais, até ser o escolhido para ser o representante  americano dos médio-pesado nas olimpíadas de Roma, em 1960. Sua carreira amadora foi brilhante, com 100 vitórias e apenas cinco derrotas. Voltando ao país, começou a enfrentar problemas comuns aos negros, o racismo, que era muito comum  na sociedade americana. Certa vez, foi chamado por algumas pessoas de “negro olímpico”, ele com raiva, sacudiu sua medalha no rio Ohio; esta versão não foi confirmada pelo pugilista, ele disse apenas que tinha perdido sua medalha.
Em 1964, ele ganhou seu primeiro título mundial dos pesos pesados, ao derrotar Sonny Liston, em  Miami. Em 1967, ele perdeu o título e foi proibido de lutar por três anos e meio, devido ter se recusado a lutar na guerra do Vietnam. Clay recorreu à suprema corte e venceu, o mesmo dizia que nenhum vietcongue lhe chamava de “crioulo”, por isso, não iria lutar na guerra do Vietnam. A partir daí, começou sua militância política, sempre ao lado de Malcolm X, líder radical dos nacionalistas negros americanos, que tinha ideias separatistas. Com a militância política, mudou seu nome para Muhammad Ali, na mesma época que mudou de cristão para muçulmano. Cassius Clay era para ele nome de escravo, que não foi escolhido por ele, e Muhammad Ali era um nome livre. Também foi muito ativa a sua vida de frases de efeito, pois ele se dizia o “The Greatest” – o maior de todos- sempre quando tinha oportunidade, fazia valer suas ideias de afro-americano, várias delas de cunho arrogante, outras de cunho emocional.
No dia 8 de março de 1971, em Nova York, ele perdeu o cinturão dos pesos pesados para Joe Frazier, mas logo depois o recuperou. Outra derrota que foi marcante em sua carreira, aconteceu no dia 31 de março de 1973, em San Diego na Califórnia, onde foi derrotado por Ken Norton, mas depois, ele sempre recuperava suas adversidades com belas vitórias. A maior delas aconteceu no dia 30 de outubro de 1974, em Kinshasa, Zaire, hoje Rep. Dem. do Congo. Ali enfrentou George Foreman, num combate até hoje chamado de “luta do século”. Para derrotar Foreman, Ali usou uma tática para muitos suicida, ele apanhou durante sete assaltos até Foreman se cansar, quando notou o adversário fraco, partiu para o ataque até nocauteá-lo no oitavo assalto, um feito épico, digno de um grande campeão. Ali só veio a perder seu cinturão dos pesados em 1978, no dia 15 de fevereiro em Las Vegas para Leon Spinks, mas pegou seu cinturão de volta no mesmo ano, no dia 15 de setembro em Nova Orleãs, em cima do mesmo Spinks. Ali anunciou a sua retirada dos ringues.
Foi derrotado depois da aposentadoria por Larry Holmes, no 2 de outubro de 1980, em Las Vegas, onde também perdeu o pique pelas vitórias, a partir daí, começou sua marcha para o fim, que terminou acontecendo no ano seguinte, no dia 11 de dezembro de 1981, em Nassau nas Bahamas, onde perdeu para Trevor Berbick, sua última luta como profissional, apelidada como “drama nas Bahamas”.  No seu cartel de lutas, obteve 57 vitórias, 37 por nocaute, e apenas 5 derrotas. Três vezes foi rei dos pesados: 1964,1974 e 1978. Em 1984, descobriu que tinha o Mal de Parkinson, começou a rodar o mundo para ver se achava a cura para a doença. Foi a Israel fazer o tratamento com células tronco, mas pouco teve resultados, mesmo assim, não deixou de fazer campanhas para quem precisava, como no Haiti, onde visitou com Cristina Aguilera. Outro fato marcante na sua vida foi em Atlanta, quando acendeu a pira olímpica em 1996, na abertura dos jogos, mesmo tremendo com a doença, ele emocionou a todos que estavam no estádio e aos que estavam assistindo pela TV.
Seu velório acontecerá nesta sexta, dez de junho em Louisville, Kentucky, sua terra natal. O caixão será conduzido por seus amigos e também por Lenox Lewis, um dos melhores pugilistas dos últimos 20 anos; o ator Will Smith, também conduzirá o féretro, pois interpretou o boxeador no filme Ali, de 2001. Seu enterro será uma mensagem de paz e tolerância para o mundo, pois Ali sofreu muito com o racismo, coisa comum nos EUA daquela  época. Falarão nos discursos fúnebres o ex-presidente Bill Clinton e o ator Billy Cristal, o primeiro ministro turco Recep Tayyip Erdogan, é esperado para o funeral.
Representando seus irmãos muçulmanos. Ali ultrapassou fronteiras dos esportes e das artes, era falastrão e defendia causas humanitárias, como em Cuba,no Haiti e em outros países. Tinha uma  filha boxeadora, Laila Ali, que declarou que o coração de seu pai ainda bateu por trinta minutos depois de morto. Agora vai o homem, mas o mito ficará para ser lembrado pelos seus feitos e sua luta em favor dos negros americanos.
Por/Hugo Ferreira Pinto
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