Malditas Comportas

Todo ano a mesma coisa! A velha história! Principalmente em anos secos. A problemática da abertura das comportas dos açudes de Engenheiro Ávido e da Lagoa do Arroz.

Os Irrigantes dos perímetros irrigados de São Gonçalo e da Várzea da Ema apelam pela abertura das comportas ou pelo aumento da vazão, já os habitantes das localidades que dependem desses mananciais para o abastecimento do “precioso líquido”, com medo de esses açudes secarem, apelam pelo fechamento das comportas. A imprensa intermedia o debate, ocorrem audiências públicas para a discussão da problemática e os técnicos do velho DNOCS decidem tudo. Mas não se aprofundam na realidade.

Segundo alguns prognosticadores, as futuras guerras serão motivadas pela oferta de água. Guerra não, mas mal estar e bate-boca sempre acontecem por aqui. Todo ano a mesma coisa.

Desde a formação do planeta, a quantidade de água é a mesma, sempre atendendo a um ciclo. Só que a oferta de água potável te diminuído devido a vários fatores, tais como: Poluição dos mananciais e assoreamento dos rios e lagos em conseqüência do desmatamento das matas ciliares. Por conta disso, é necessário um debate amplo, técnico e consciente. Não se admite, nos dias atuais, os desperdícios.

Voltando ao problema, a irrigação praticada nos perímetros irrigados Supla citados não se constitui verdadeiramente numa irrigação, tudo não passa de uma AGUAÇÃO. Sim, aguação mesmo, porque a verdadeira irrigação requer sérios cuidados e planejamento, tudo bem calculado, levando em consideração cada tipo de cultura, o tipo de solo, a classificação da água, a evaporação e a transpiração das plantas, entre outros aspectos. Como se ver, irrigação é uma verdadeira ciência, por sua complexidade.

A “irrigação” (ou seria, aguação?) dos referidos perímetros irrigados é arcaica e ultrapassada, que já deveria ter sido abolida do nosso planeta, devido o desperdício e grande risco de salinização do solo e uma conseqüente desertificação, já que a inundação promove uma constante lâmina d’àgua em toda a área, promovendo uma penetração até o subsolo, lá os sais se dissolvem na água, formando uma solução salina que aflora a superfície, a água é evaporada, ficando os sais, tornando o solo salinizado.

Mas, qual seria a solução para essa problemática? De imediato alguém poderia sugerir: mudar a irrigação. Sem dúvida alguma a prática irrigatória teria que mudar. Mas como mudar? Já que as culturas ali cultivadas (coco, banana e arroz) são culturas que necessitam de bastante água e irrigação localizada torna-se inviável às referidas culturas. Há outros métodos de irrigação que atendem as necessidades hídricas dessas culturas sem desperdícios. Aí vem a indagação: Será que os irrigantes teriam condições financeiras para adquirirem conjuntos de irrigação eficientes, já que na sua grande maioria praticam agricultura de subsistência em pequenos lotes?

A situação requer um debate mais amplo, com a participação de todos os envolvidos e principalmente, dos gestores públicos. Que tal implantar um grande projeto de revitalização desses perímetros irrigados, detectando as necessidades dos irrigantes, com assistência técnica eficiente e abertura de crédito com carência para financiar conjuntos de irrigação? Reflitamos todos.  Que não venhamos pronunciar mais a frase: “malditas comportas”.

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