Marcondes Gadelha volta a assumir Câmara Federal com a morte de Rômulo

Na condição de primeiro suplente da coligação formada para a disputa eleitoral de 2014, o ex-senador Marcondes Gadelha, presidente do PSC na Paraíba, volta a assumir mandato de deputado federal, preenchendo a lacuna causada pela morte, hoje, em Campina Grande, do deputado federal e ex-vice-governador do Estado, Rômulo Gouveia. Marcondes já havia assumido a titularidade na Câmara em outra circunstância ditada pela morte do titular, o então deputado federal Adauto Pereira. Ex-candidato a governador da Paraíba em 1986, Marcondes é tido como um dos mais brilhantes oradores da vida pública da Paraíba e obteve projeção tanto na Câmara no Senado, notabilizando-se pela defesa que encampou da bandeira do projeto de transposição de águas do rio São Francisco.

Com raízes em Sousa, no Alto Sertão, descendente de tradicional família política associada ao poder das usinas em quadra remota da conjuntura estadual, Marcondes Gadelha foi eleito deputado federal, pela primeira vez, em 1970, concorrendo pelo MDB, legenda que fazia oposição ao regime militar. Vigorava, então, o bipartidarismo – a Arena constituía-se em partido de sustentação do regime e do governo e o MDB era tido como “oposição consentida”. Não obstante, o MDB tomou-se de rebeldia, com a eclosão de um grupo parlamentar chamado “autêntico”, de que fazia parte Marcondes Gadelha. O grupo autêntico oxigenou o partido nas lutas políticas e aproximou o MDB da sociedade civil, tornando-se porta-voz de denúncias de violações de direitos humanos no país e protestando contra desigualdades do modelo econômico então posto em prática.

Na década de 80, induzido por fatores da política provinciana (em Sousa, sua família dava combate a um líder combativo, Antônio Mariz), Marcondes migrou para o PDS, sucedâneo da Arena, garantindo vaga para concorrer ao Senado. Saiu vitorioso, fazendo parte de chapa encabeçada por Wilson Braga, que derrotou Antônio Mariz ao governo. Um gesto de repercussão nacional protagonizado por Marcondes foi o de apertar a mão do general João Batista Figueiredo, o último presidente do ciclo militar. Figueiredo executava uma operação de distensão política, que culminaria com a concessão de anistia a adversários do regime, a devolução de eleições diretas e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. Marcondes foi um dos poucos a apostar nos acenos de conciliação e, desafiando críticas, encontrou-se com Figueiredo e ingressou no PDS, sendo eleito. Na sequência, teve uma trajetória oscilante na política, perdendo eleições para deputado federal e assumindo a titularidade em casos excepcionais. Lançou seu filho, Leonardo, à Câmara, com êxito. Até recentemente, Leonardo Gadelha era superintendente do INSS.

Gadelha também adquiriu projeção ao aceitar ser vice do apresentador de televisão Sílvio Santos na chapa a presidente da República que ele encabeçou em 1989. A chapa acabou sendo impugnada por uma série de irregularidades legais, e o vitorioso do pleito foi Fernando Collor de Mello. Atualmente, Marcondes preside o PSC, com cujo ideário diz estar identificado, e seu nome não estava em pauta para a disputa de mandatos eletivos. Por artes do destino, ele volta ao primeiro plano da movimentação política brasileira.

 

Por/Nonato Guedes

Portal Alto Sertão com Osguedes.com

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