Morre Raimundo Ferreira, empresário de Juazeiro do Norte benfeitor de Cajazeiras

Faleceu, neste domingo(16), aos 88 anos de idade, em Juazeiro do Norte, Ceará, onde será sepultado na tarde desta segunda-feira, o empresário Raimundo Correia Ferreira, natural de Várzea Alegre, no Ceará, que fez estudos na Paraíba e se instalou como grande empreendedor na cidade de Cajazeiras, no Alto Sertão, com investimentos como a Viação Brasília e a Estação Rodoviária. O pioneirismo de Raimundo Ferreira e seu tino para os negócios são destacados em depoimentos de personalidades que conviveram com ele. Da mesma forma, há o registro da falta de sorte com a política. Por duas vezes, candidatou-se a prefeito de Cajazeiras e, nas duas ocasiões, foi derrotado – a primeira, em 1963, concorrendo pelo PSB, para Francisco Matias Rolim, a segunda, em 1968, por Epitácio Leite Rolim. Raimundo Ferreira se declarava “um apaixonado” por Cajazeiras, mesmo tendo tido insucesso na política. Mas, após as derrotas eleitorais, fixou-se no Ceará, indo a Cajazeiras esporadicamente.

Ele iniciou os estudos na própria cidade de Várzea Alegre, transferindo-se, posteriormente, para Campina Grande, onde os concluiu no Colégio Alfredo Dantas por volta de 1949. Na época, a carreira preferida entre os estudantes interioranos era Medicina e Raimundo Ferreira não fugiu à regra, mas sua vocação era, mesmo, a de ser empresário. Instalou uma difusora com alto-falante e uma pequena indústria em Várzea Alegre, no Cariri paraibano. Viabilizou empreendimentos como Rápido Juazeiro mas foi com a Viação Brasília que ganhou projeção como empresário de transporte de passageiros. Incursionando pelas cidades cearenses de Juazeiro do Norte e Crato, fez sociedade com outro empresário, fixado em Várzea Alegre, que durou até 1957, quando se mudou para Cajazeiras, no extremo oeste da Paraíba. Costumava dizer que “foi amor à primeira vista” por Cajazeiras e levou essa “paixão” a sério, como uma espécie de compromisso, passando a se destacar como benfeitor da população da cidade.

Amigo pessoal do então presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira, tanto assim que homenageou a Capital federal erguida pelo governo dele no Centro-Oeste do Brasil no seu empreendimento rodoviário mais bem-sucedido, Raimundo Ferreira passou a ser cortejado por lideranças políticas de oposição em Cajazeiras para ingressar na atividade, concorrendo à prefeitura. Na segunda disputa à prefeitura, teve como candidato a vice o comerciante José Donato Braga, de prestígio no meio social da cidade. Raimundo, apesar dos melhoramentos carreados para Cajazeiras, não tinha, na opinião de líderes tradicionais, o perfil característico do político. Não era de dar tapinhas nas costas de eleitores, muito menos de fazer promessas mirabolantes. Era homem de ação, coerente com a sua formação empreendedora, e foi derrotado com maiorias expressivas numa conjuntura em que Epitácio Leite e Francisco Matias Rolim alternavam-se na hegemonia política na cidade de Cajazeiras, como lembra o escritor Francisco Sales Cartaxo Rolim em seu livro “Do Bico de Pena à Urna Eletrônica”. A notícia da morte do empresário Raimundo Ferreira causou grande consternação na cidade de Cajazeiras.

 

Nonato Guedes/ Blog osguedes.com

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