‘No Brasil, pouco ainda me inspira’, diz Geraldo Vandré em João Pessoa- Veja vídeo

Conhecido nacionalmente como personagem histórico do Brasil no período da ditadura militar, o paraibano Geraldo Vandré parou de produzir comercialmente logo após ter sido exilado na década de 70. Porém, de volta a João Pessoa para participar de evento do Governo do Estado, o cantor afirmou que ainda compõe, mas que pouco no Brasil ainda lhe inspira.

Antes de retornar em dezembro deste ano, Vandré veio a João Pessoa no ano de 2015 para participar de uma homenagem no Fest Aruanda, porém, antes disso, há 20 anos não visitava a cidade natal e se espantou com o progresso. “Muitos prédios”, disse.

Política

Homem de poucas palavras e respostas enigmáticas, o artista acredita que o brasileiro confunde política com eleições. “Existe uma frase que diz que o homem é um animal político, né? E as pessoas tem mania de confundir política com eleições. São coisas distintas. Eu sou um animal político que não depende de eleições (risos).”, atesta.

Quando indagado se o momento político atual do Brasil é semelhante ao vivenciado por ele na ditadura militar, a resposta foi categórica. “É diferente”. Porém, com uma serenidade que nem parece ser de quem foi torturado e exilado por um regime que deixou muitas marcas na sociedade, Geraldo vê o momento desesperançoso como herança da ditadura.

“O que vivemos hoje é uma consequência do momento anterior”, disse. Talvez com remorso do que vivera na década de 60, o cantor complementa a ideia sem mencionar a palavra ‘ditadura’. “O cenário atual é um reflexo desse período que você se referiu”, finaliza.

Ainda produz

Quando o assunto é música, os ares da entrevista ficam leves. Se o Brasil pouco lhe inspira a produzir, isso não quer dizer que não haja produção. “Ainda componho. Mas pra mim”. E por fim, Geraldo se diz animado a participar de produções sinfônicas. Um desafio novo em sua carreira. “Eu vim aqui a convite do governador para participar desse projeto. Produzir música sinfônica é algo que me motiva”, finaliza.

 

Portal Correio

 

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