Nove anos sem “O Mestre” Ferreira Lima

Falar de pessoas marcantes no cenário cajazeirense seria simples, tomando-se por base os relatos históricos e a trajetória de serviços prestados pelo homenageado.

Contudo, tecer breves comentários sobre a pessoa de Ferreira Lima não é tarefa das mais fáceis, considerando a nossa condição de filho e admirador daquele que foi nesta vida um exemplo de homem, profissional e chefe de família.

Nascido em 16 de setembro de 1941, na cidade de Juazeiro do Norte-CE, José Ferreira Lima era o terceiro de uma prole de 04 filhos: Maria de Jesus Ferreira Lima; Maria Salvelina Ferreira da Silva, Antônio Ferreira Lima e o próprio.

Desde jovem colaborava com seu pai e irmãos, no sustento da família, trabalhando como auxiliar de marcenaria.

Devido à falta de recursos, logo após concluir o 1º grau, por volta dos 15 anos, viu-se forçado a abandonar os estudos. Naquela época, década de 1950, não existia na cidade de Juazeiro do Norte ensino público secundário.

Diante das dificuldades em permanecer no ensino tradicional, o jovem e franzino rapaz passou a se dedicar a atividades técnicas. Fez um curso de eletrotécnico, onde aprendeu a realizar consertos em rádios e outros equipamentos elétricos.

Aos 22 anos, com uma voz grave e entonada, passou a prestar serviços como locutor de carro de som. Em meados dos anos 60, iniciava sua carreira como locutor radiofônico, no serviço de alto falantes “SACI”, ainda na terra do Padre Cícero.

A seguir, na segunda metade da década de 70, recebeu convite do então diretor da Difusora Rádio Cajazeiras, Mozart Assis, para trabalhar na “Pioneira”.

Naquela época, recém-casado e com um filho a caminho, decidiu mudar-se sozinho para Cajazeiras. Logo após sua vinda, e com o nascimento deste que vos narra, trouxe toda a família para a Terra do Padre Rolim, onde fixou residência até o fim de sua vida.

Ao longo de sua trajetória como repórter, redator e locutor noticiarista, Ferreira Lima conquistou rapidamente o espaço das manhãs, com o programa “Rádio Variedades” onde apresentava uma revista radiofônica com notícias, curiosidades e informações variadas.

Como repórter, entrevistou grandes nomes do cenário brasileiro, a exemplo de Luiz Gonzaga; Chico Buarque de Holanda e Nelson Gonçalves, quando de passagem por nossa região.

Suas duas marcas registradas foram o “Repórter Carvatra” e o “Grande Jornal”, programas que representavam o máximo em audiência na Difusora Rádio Cajazeiras.

Além de sua trajetória pela Difusora Rádio Cajazeiras, Ferreira Lima ainda laborou nas rádios Alto Piranhas e Rádio Oeste. Ressalte-se que nesta última, encerrou sua carreira.

Foi ainda correspondente dos jornais: A União e Jornal da Paraíba, além de ter prestados serviços na década de 90, no Governo de José Nello Zerinho Rodrigues, na Secretaria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Cajazeiras.

Numa demonstração de reconhecimento, foi muitas vezes chamado de “Mestre” pelos radialistas iniciantes, ou “Gogó de Ouro” pelos mais experientes que com ele conviveram, a exemplo de seu amigo e compadre, Barbosa Silva, ainda em atividade na radiofonia Sousense, e outros como Antônio Malvino; Fernando Caldeira; Ribamar Rodrigues; Adjamilton Pereira; Josival Pereira; José Anchieta César de Lima, dentre outros de renome.

Admirado por seus textos claros e diretos, numa época em que as notícias só chegavam por meio das grandes rádios e jornais do país, o talento, o profissionalismo e a voz inigualável de Ferreira Lima, muitas vezes comparada a de Cid Moreira, deixaram, com sua partida, além da saudade, uma lacuna na radiofonia paraibana que muito dificilmente será preenchida.

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