O Brasil é realmente Independente?

No mês de setembro o Brasil comemora 191 anos de independência, fato que representa o processo que culminou na emancipação política do território brasileiro do Reino de Portugal, no início do Século XIX.

De acordo com a historiografia clássica do Brasil, no dia 7 de setembro, às margens do Riacho Ipiranga, onde atualmente é situada a cidade de São Paulo, o príncipe e regente do país, Dom Pedro de Alcântara Bragança (Dom Pedro I) teria bradado perante a sua comitiva o famoso “Grito do Ipiranga”, ao bradar “Independência ou Morte!”.

Depois de anos sendo explorado, o Brasil, finalmente, tornou-se “livre” de Portugal. Sem dúvida alguma, depois do dia 7 de Setembro de 1822, o nosso país se tornou soberano, porém, não totalmente independente, afinal, em um mundo globalizado, praticamente todas as nações dependem uma das outras para se desenvolver.

Embora muitos países possuam setores independentes, a economia é um aspecto que depende de relações externas. Identifica-se, no Brasil, tal dependência devido à alta demanda de produtos importados, principalmente os que exigem tecnologia aprimorada, como eletrônicos e medicamentos. Embora alguns desses produtos já sejam produzidos no Brasil, quase toda a tecnologia necessária provém das multinacionais estrangeiras.

Muitas dessas empresas buscam, no Brasil, os seus recursos naturais, os quais ainda são encontrados em abundância. Nesse aspecto, pode-se considerar o Brasil como um país quase que totalmente independente, ao contrário da Holanda, que chega a importar mais de 80% da água que consome. Além desse fator, o Brasil também é politicamente independente, afinal, ele possui a própria Constituição e não se submete a intervenções estrangeiras.

Apesar de muitos países serem politicamente independentes quase todos possuem intensas relações com outras nações, principalmente no que se refere à economia. Tal aspecto é a principal característica da globalização, a qual fica evidente em épocas de crise, como aconteceu em 1929, nos Estados Unidos, e que atingiu países de mundo inteiro. Portanto, para uma nação ser considerada totalmente independente, ela não deve apenas deixar de ser uma colônia, mas sim possuir total autonomia político, cultural e econômica, o que não é encontrado em nenhum país do planeta.

Cento e noventa e um anos depois do grito da independência: não, não somos nada independentes. Não dá pra dizer que um país é independente quando seu povo depende de bolsa família, ou seria “bolsa preguiça”?,  pra ter o mínimo de subsistência. Quando mais da metade de seu orçamento é pra amortizar dívida externa. Não dá pra dizer que um país é independente quando um ou dois indivíduos monopolizam a opinião pública e a trabalham da forma como melhor lhe convir, que a grande maioria das concessões de emissoras de rádios e TV  está nas mão de políticos corruptos, que manipulam as informações.  Não, não somos um pais independente quando a política é um plano de carreira, não um trabalho social. Quando depende de medidas totalmente artificiais pra combater a desigualdade racial e sociais, como é o caso da política de cotas para se adentrar nas universidades.

Não dá pra dizer que um país é independente quando precisa da aprovação de Deus e o mundo pra fazer seu manejo de áreas verdes. Gente, o Código Florestal é para ser nosso, se querem criticar, que sejam brasileiros a fazê-lo!

Que independência é essa  quando manifestantes em prol de seus direitos são tratados como vagabundos. Como assim? Não pode fazer greve? Que independência é essa em que eu tenho apenas que obedecer?

Não dá pra dizer que um país é independente quando o governo se banha em escândalos ininteligíveis ao cidadão brasileiro. Não dá pra ser independente quando a escola, o núcleo maior de formação do indivíduo, é tratada como um mero depósito de crianças enquanto os pais trabalham. E os professores, donos da tarefa mais primorosa do universo que é dar a independência de pensamento e crítica ao cidadão, são tratados como lixo, por quem o (mal) paga e por quem deveria sê-lo eternamente grato: os próprios alunos!

Portanto o que caracteriza um país  justo, moderno, independente e que oferece boa qualidade de vida à população são: uma agropecuária moderna e autossustentável, estrutura industrial completa, desenvolvimento científico e tecnológico avançado, modernos e eficientes meios de transporte e comunicação, pequeno número de analfabetismo, boas condições de moradia, alimentação, habitação e saneamento básico, baixa taxa de mortalidade infantil, uma eficiente rede de saúde pública, com hospitais bem equipados e com profissionais totalmente treinados e com capacidade de ajudar os pacientes, leis sérias e realmente punitivas, polícia integrada e que possa combater a violência e, para finalizar uma elevada expectativa de vida.

Por:Afonso Jr.

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