O Maior atleta olímpico brasileiro

Foto/Internet

Os jogos olímpicos do Rio se foram, mas o Brasil conheceu um herói com letras maiúsculas, é o  baiano Isaquias Queiroz, que ganhou três medalhas olímpicas na Canoagem: C1 1000; C1 200; C21000. O C se refere à canoa 1 ou 2 quanto ao número de integrantes, 1000 ou 200 se refere a distancia. Isaquias é baiano de Ubaitaba, que em tupi-guarani significa cidade das canoas. Ele teve uma infância de problemas, pois era um garoto pobre, seu pai morreu quando ele tinha apenas dois anos, sua mãe dona Dilma, teve que cuidar sozinha de Isaquias e de nove irmãos e irmãs; cinco biológicos e quatro adotados. Aos três anos, ele sofreu um acidente que quase lhe tirou a vida, quando uma panela de água fervente caiu sobre o mesmo e quase foi desenganado pelos médicos, mas Isaquias se recuperou, mas não terminou aí seus problemas: uma mulher ameaçou raptá-lo, mas um dia ele sumiu, pensava a mãe que era a ameaça da mulher, mas ele foi encontrado em uma roça de cacau, chorando.

Quando tinha dez anos, em 2004, ao subir em uma mangueira para ver uma cobra de cipó que estava morta, Isaquias caiu da árvore e bateu as costas em cima de uma pedra, ele teve que ser levado a Itabuna, 63 km de Ubaitaba, foi internado na UTI  do hospital, com forte hemorragia interna, teve um de seus rins retirados, o que lhe obriga até hoje a beber muito mais água do que o normal. esse fato lhe custou ser chamado de “sem rim” pela população de Ubaitaba. O bom canoísta não se deixou levar pelas adversidades, pois dava suas remadas no rio de Contas, que banha Ubaitaba e Ubatã, a cidade de Erlon de Sousa, seu parceiro nos C2 1000. Erlon e Isaquias eram adversários nos campeonatos baianos de canoagem, mas com a fama de bons atletas, terminaram formando uma dupla que defende nosso país na canoa dupla de 1000 metros.

Isaquias apareceu no cenário mundial aos 19 anos, em Duisburg  2013, quando ganhou o ouro nos C1 500  e bronze no C1 1000. Nesse mesmo ano, passou a ser treinado por Jesús Morlan, técnico espanhol que tinha no currículo cinco medalhas olímpicas, a maioria com David Cal, considerado o maior canoísta olímpico da Espanha. Quero dizer que o C1 500, não faz parte do programa olímpico, somente está presente nos mundiais de canoagem. Em 2011, ele já se mostrava uma promessa da canoagem brasileira, pois ganhou o mundial júnior na Alemanha de C1 200  e vice nos C1 500, com apenas 17 anos de idade. Por causa de problemas com adaptação, rotina intensa de treinos, poucos amigos e sem dinheiro, Isaquias foi cortado do Pan de Guadalajara neste mesmo ano, em 2011. Revoltado com sua ausência, ele voltou à sua cidade, sem permissão, foi suspenso da seleção brasileira, só voltou no ano seguinte, 2012, mesmo assim, não foi incluído para o jogos olímpicos de Londres 2012.

Outra questão que Isaquias teve com a CBC, foi em 2013, no mundial de canoagem,quando ganhou os C1 500  e bronze nos C1 1000, ele reclamou da falta de apoio para suas conquistas em mundiais, e dizia que sua continuação na canoagem estava em aberto. Na época ele chegou até em pensar em abandonar à canoagem, pois ganhava títulos, mas sua vida não tinha mudanças. A Confederação falou que não tinha prometido nada ao atleta, mas ele tinha um longo caminho a seguir, e que iria dar suporte ao mesmo. Outro fato esquisito com Isaquias foi no mundial de Moscou, em 2014, ele liderava a prova do C1 1000, quando se jogou na água, pensando que tinha ganho a prova, Isaquias foi desclassificado, e a vitória ficou com Sebastian Brendel, que lhe derrotou no Rio 2016, nos C1 1000  e nos C2 1000.

O Brasil duplicou seu orçamento para os jogos do Rio 2016, mas, mesmo assim, não conseguiu pagar a muitos atletas de ponta que brigavam por medalhas, e Isaquias foi um deles. Em setembro de 2015, a imprensa dourava o atleta como o maior favorito ao ouro da canoagem, mas a realidade era bem diferente, os salários estavam atrasados, e à equipe de Canoagem  boicotou o evento teste das Olimpíadas na lagoa Rodrigo de Freitas, o BNDES não pagava seu salário havia oito meses, como protesto, à equipe da Canoagem não participou do evento. Hoje ele é o maior atleta olímpico do Brasil em uma só Olimpíada, com três medalhas: Prata nos C1 1000 e C2 1000 e bronze nos C1 200. Ele superou Guilherme Paraens na década de 20; Gustavo Borges em Atlanta 1996 e César Cielo em Londres 2012. Espero que o nosso país reconheça mais Isaquias, o menino pobre de Ubaitaba, que nos fez sorrir três vezes na Canoagem, até então, um esporte pouco conhecido pelos brasileiros.

 

Hugo Ferreira Pinto

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