Para registro: A verdadeira história da relação entre Ricardo Coutinho e João Azevedo, por Francisco Barreto

Esta é uma história que merece ser contada. Até por ser da lavra do professor Francisco Barreto, um dos mais cultos intelectuais da Paraíba, com formação acadêmica na Sorbonne (Paris) e testemunha de muitos dos fatos mais relevantes da História do Estado, nos últimos anos. Barreto foi gestor em várias administrações e conheceu por dentro o mecanismo da máquina pública, além de conhecer de perto seus principais atores.

Em seu texto enviado ao Blog, Barreto lembra como, ao levar o nome de João Azevedo para ocupar um cargo na prefeitura de João Pessoa, o então prefeito Ricardo Coutinho, não apenas vetou seu nome, como alegou que João tinha ligações com ladroagens de gestões em Bayeux. Barreto cita ainda ter alertado Ricardo Coutinho sobre o escândalo da Emlur, com envolvimento de seu irmão, Coriolano. E, por isso, acabou demitido.

CONFIRA A ÍNTEGRA DO TEXTO…

Caríssimo Helder,

Cumpre-me submisso à verdade lhe relatar o que se segue diante do litigioso embate político que se afigura nas cenas do pastiche politico entre RC, João Azevedo ET caterva. Nos primeiros dias do ano de 2015 assumi a Secretaria de Desenvolvimento Urbano a convite do mesmo RC. Diante das volumosas dificuldades em gerir uma área complexa sob a responsabilidade da então SEDURB: nos campos dos mais diversos equipamentos urbanos, uso e ocupação do solo, e infraestrutura correlata, e consciente dos meus limites e extremas dificuldades agravadas pela minha reduzida capacitação no mister da engenharia urbana recorri ao então Prefeito RC solicitando amparo ao citado enfrentamento a ser manejado pela SEDURB. Com efeito, de pronto, advoguei enfaticamente a necessidade de admitir um engenheiro urbano competente, e o nome apresentado foi o do competente João Azevedo Lins. Conhecia o mesmo ao tempo da competente, séria e proba administração do Dr. Antônio Carneiro Arnaud. João tinha sido meu colega exercendo com extremada competência a difícil função de Secretário da então SESUR. Por exigência, do PMDB, meu partido, fora exigida a cabeça de João, para que fosse substituído por um acólito partidário sob a diligência do Senador Humberto Lucena. Insurgimos-nos, Marivardo Toscano, Chiquinho Arnaud, Mauricio Montenegro, Mário da Gama e Melo, Marcia Kaplan, Netovicht Maia, e eu próprio, saímos em defesa de João Azevedo, que, após rumorosas conversas, obtivemos a aquiescência e permanência do competente João no cargo.

Na minha incursão, levando a tiracolo o nome de João Azevedo para exercer a função de Chefe de Gabinete da SEDURB, recebi um repreensivo NÃO de RC. O argumento, agressivo e desrespeitoso de RC foi o de que o meu indicado: vinha das hostes de Domiciano e Sara Cabral, tidos e havidos como peritos em ladroagem. Argumentei incisivamente, que João Azevedo um homem de bem, Professor da ETF, e que me responsabilizaria pelos atos dele. Argumento que não surtiu efeito.

Permaneceu a insidiosa humilhação a João Azevedo.

Retornei, poucos dias depois, e insisti na admissão do mesmo. Um segundo NÃO, acompanhado de admoestação pela minha insistência. Na terceira, e última vez, disse a RC, que se não fosse possível ter comigo um engenheiro urbano competente, teria enormes dificuldades, e que que estava pronto para abrir mão do meu cargo de Secretário da SEDURB. Diante, de uma pressão inaudita, contrariado RC afirmou: faça o que você quer e assuma a responsabilidade. João foi finalmente entronizado. João silente, e humilhado pela atitude de RC ainda desejou não aceitar. O convenci do contrário: não ceda ao argumento insidioso e que pesa sobre a sua dignidade, vamos trabalhar. Aceitou, e fez um extraordinário trabalho na SEDURB.

Ato contínuo fui convocado pelo mesmo RC para assumir a Secretaria da Administração, no lugar de outro injustiçado Ruy Leitão. E fui convocado para sugerir nome para SEDURB, não foi outro que o de João Azevedo, RC se convencera da competência, honestidade de João Azevedo. Tanto é verdade que ocupou na sequencia os cargos da Habitação e Infraestrutura.

Em outra ocasião ainda na SEDURB, fui chamado por RC para indagar sobre a contratação do filho de João, engenheiro também, para a SEINFRA. Expliquei que o menino tinha sido expurgado da SUPLAN, no Governo Cássio, pela simples e insuficiente razão de que o pai estava na SEDURB. Indiquei o filho a Fred Pitanga da SEINFRA, que pelo mérito do jovem o admitiu. RC torceu o nariz.

Deixei a PMJP em Novembro de 2006, depois de ter feito uma formal advertência a RC sobre várias condutas desonestas que se afiguravam na prática de licitações de carteiras e merenda escolares, informática, contratações exacerbadas de prestadores de serviços, compras de equipamentos, limpeza urbana (sob o pálio de Coriolano Coutinho).

As minhas denúncias, não mereceram qualquer reação de RC, salvo a determinação de que precisava do meu cargo numa clara perseguição comboiada por Nonato Bandeira, entre outros. Saí e voltei à UFPB de onde nunca deveria ter saído.

Não fui o único, objeto de retaliação. Antonio Augusto de Almeida, Ruy Leitão, Walter Galvão, entre muitos foram expurgados por adotarem comportamentos ilibados.

João Azevedo teve um enorme sucesso junto a RC, sem dúvida deve ser creditado à sua competência e a ágil conduta de gestor experiente. Não me cumpre especular e tergiversar sobre os passos que determinaram a confiança adquirida por RC. O tempo, o dirá sobre a sua conduta, e o porquê RC o fez Governador. Era o mais competente candidato no último pleito eleitoral, sempre admiti a terceiros, embora tenha anulado o meu voto.

O ontem considerado por RC participe da quadrilha Bayeux, hoje de modo infame acusado de traidor deve assumir uma postura de Primeiro Magistrado, e mais mostrar que seguiu o exemplo das “garças, trafegam na lama do poder, e não sujam as penas”.

Quanto a RC, e seus asseclas cumpre ao MP, não declinando de suas responsabilidades apurando todos os passos de uma “Via Crucis” a que foi submetida à Paraíba e a sua gente.

Desde Março de 2009, tornei público as minhas denúncias sobre a desonestidade crônica perpetrada sob as (ir)responsabilidades de RC. Nunca tiveram eco, nem na Justiça, e também não na esfera pública e política. Fui adjetivado de rancoroso entre outros.

Assim se passaram dez anos. Saí da política, entendendo que não tinha audiência, nem voto. Um novo exilio doloroso, mas necessário, porque tenho sido abraçado pela consciência tranquila e a paz de espirito que me assegura que nunca transitei na delinquência enquanto estive na vida pública.

A história nunca absolverá bandidos. 

PS.Maurilio Batista, o bardo, do alto de sua generosa inteligência alardeia que fui eu quem inventou João Azevedo (aliás foi ele quando da SEDURB me lembrou do nome do mesmo). Eu não inventei João, ele próprio se projetou pela sua competência e honestidade, e que tem hoje, a enorme tarefa  de se desinventar, e de se, apresentar a Paraíba como uma figura exemplar longe dos malefícios e da cumplicidade com RC.  

 

Fonte/Blog do Helder Moura

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