QUANDO E COMO AVALIAR

A avaliação é sem dúvida um dos elementos do ensino aprendizagem. Deve ser dinâmica, participativa, sistemática e objetiva. É uma das tarefas mais delicadas e difíceis na vida dos professores. Com a avaliação as respostas vão sendo obtidas no decorrer do processo de ensino-aprendizagem, as quais devem ser confrontadas com os objetivos que foram elencados no planejamento, constatando deficiências e avanços, diminuindo a angustia, o temor, o pânico, a tensão característica voltada exclusivamente para a aferição da capacidade de memoria do aluno.

O processo avaliativo nessa perspectiva se destina a acompanhar entender e favorecer o contínuo avanço do aluno. Com isso o aluno formula e reformula hipóteses, não representando ponto de chegada, mas a ponte para o conhecimento. Confiar e valorizar significa contribuir para todo o desenvolvimento do aluno.

Assim o aluno participa da formulação dos objetivos de sua aprendizagem e avalia o seu progresso. Segundo Enricone: A avaliação emancipatória é um ato político pedagógico, que                proporciona à mudança, o avanço, a transformação, a aprendizagem, a autonomia e não simplesmente a atribuição de notas/conceitos para aprovação/reprovação sem possibilidade de crescimento (2000, p.81).

Nessa perspectiva, a avaliação deve ocorrer não somente ao final de etapas que fragmentam o processo, mas durante a condução das práticas dentro do período estabelecido no planejamento. Daí considera-se a avaliação como um processo educativo capaz de confirmar ou redimensionar a sua programação, as relações estabelecidas na dinâmica escolar.

 

1.3      MODALIDADES DA AVALIAÇÃO

A Avaliação é um processo contínuo de aprendizagem no qual deve-se manter a interação entre professor e aluno. Neste caso avaliação não pode ser vista como método de reprovação, mais uma forma para promover o conhecimento participativo, coletivo e construtivo entre aluno e professor.

A classificação a seguir é definida por Bloom e seus colaboradores, onde a avaliação pode ser:

 

1.3.1 FORMATIVA:

Ocorre durante o processo de instrução; inclui todos os conteúdos importantes de uma etapa da instrução; fornece feedback ao aluno do que aprendeu e do que precisa aprender; fornece feedback ao professor, identificando as falhas dos alunos e quais os aspectos da instrução que devem ser modificados; busca o atendimento ás diferenças individuais dos alunos e a prescrição de medidas alternativas de recuperação das falhas de aprendizagem.

Esta modalidade de avaliação deve acompanhar permanentemente o processo de aprendizagem.

A lição do renomadíssimo Trigo (2007) esclarece os objetivos desta avaliação: É contínua, pois se realiza ao longo de todo o processo educacional e tem como finalidade permitir o acompanhamento e analise dos pontos fracos e fortes desse processo, para que se possa aperfeiçoá-lo ao longo do processo.

Certifica-se que a avaliação formativa é transparente e respeita o ritmo de aprendizagem de cada aluno.

 

1.3.2 SOMATIVA:

Consiste na verificação do desempenho dos alunos, do currículo e da gestão escolar.  Ocorre ao final da instrução com a finalidade de verificar se o aluno aprendeu efetivamente os conteúdos mais relevantes. Este tipo de avaliação pode traduzir de forma quantificada, a distância existente entre uma meta que se pretende atingir e os resultados obtidos.

A avaliação somativa é utilizada para avaliar as ações dos alunos, dos professores e da própria escola.

 

1.3.3 DIAGNÓSTICA

É a avaliação inicial, pretende indagar se os alunos possuem os conhecimentos e aptidões para poderem iniciar novas aprendizagens. Pode acontecer no inicio do ano muitas das vezes sob a forma de um período de avaliação inicial, no inicio de unidade e ensino ou sempre quando se pretende introduzir uma nova aprendizagem e se achar prudente proceder uma avaliação desse tipo. Dependendo dos momentos que a avaliação se realiza é possível dizer: a avaliação inicial, avaliação intercalar e avaliação final.

 

1.3.4 PRÁTICA AVALIATIVA CONSERVADORA

Esse tipo de avaliação é pautada na tendência pedagógica tradicional o professor assume uma postura autoritária, é o dono do saber, os alunos são submissos ao professor. Avaliação nesse caso serve para medir, testar os alunos através de notas e conceitos e não dos conhecimentos que ele (aluno) adquiriu neste sentido a palavra avaliar esta relacionada a cumprimento. Ainda existem professores que utilizam a premissa de que o aluno aprende quando repete, “ex vi” a lição de Vasconcellos (1998, p.48):

 

A avaliação de cunho decorativo, onde o professor faz questão para ouvir exatamente o que disse em sala, o que está escrito no livro ou na apostilha, tem também uma longa tradição pedagógica, levando a uma profunda distorção da prática de estudo, pois o aluno ao invés de se envolver com a efetiva aprendizagem passa a mera repetição e não a criação.

Com certeza esse tipo de avaliação tem contribuído em grande parte para a evasão e submissão dos alunos.

 

1.3.5 PRATICA AVALIATIVA TRANSFORMADORA

Essa pratica é reflexiva, investigativa, contínua, participativa e negociada predomina aspectos qualitativos sobre os quantitativos tem a preocupação essencial com a constatação da qualidade do processo ensino aprendizagem. É instrumento fundamental para fornece informações sobre como está se realizando o processo de ensino aprendizagem, para o professor e para a equipe da escola conhecer e analisar os resultados desenvolvidos, como para o aluno verificar o seu desempenho.

Vasconcellos (1998, p. 74) é prático ao afirmar o objetivo de uma avaliação transformadora: Seus resultados constituam parte de um diagnostico e que se a partir dessa analise da realidade, sejam tomadas decisões sobre o quer fazer para superar problemas constatados: perceber a necessidade do aluno e intervir na realidade para ajudar a superá-la.

 

Canem (1999, p. 101) refere-se especificamente sobre a função da avaliação da EJA:

A avaliação visará detectar em que medida os padrões culturais, as expectativas, as visões de mundo e os saberes dos quais os alunos são portadores estão sendo levados em consideração na construção do conhecimento. Em outras palavras: utilizando-se de diversos instrumentos, educadores de jovens e adultos irão detectar pontos positivos e dificuldades a enfrentar para que o diálogo entre saberes escolar e saberes do aluno se concretize.

Certifica-se assim nessas citações que o processo de avaliação deve contribuir para a eficácia do ensino vez que se constata a verificação de determinados objetivos permitindo uma modificação estratégica na tomada de decisão frente a pratica pedagógica.

Admiti a liberdade de orienta e reorientar as decisões necessárias para o bom funcionamento da escola.

A prática avaliativa transformadora considera as produções realizadas pelos alunos e as observações a respeito de cada um e da classe como um todo; comentários sobre atividades que deram bons resultados e sobre outras, menos produtivas; a avaliação que reconhece que o processo de ensino é interativo significa a real possibilidade de reorienta-lo, em busca do objetivo maior: formar cidadãos.

É importante ter clareza que esse procedimento jamais deve ter caráter depreciativo em que se apontem os erros do educando como resultado de fracasso ou de sua incapacidade. Ao contrario do que se pensa, o erro do aluno deve ser corrigido sim, porem a correção deve concretizar uma situação de aprendizagem e não de condenação.

Luckesi (1998, p. 57) enfatiza com clareza:

Os erros da aprendizagem, que emergem a partir de um padrão de conduta cognitivo ou prático já estabelecido pela ciência ou pela tecnologia, servem positivamente de ponto de partida para o avanço, na medida em que são identificados e compreendidos, e sua compreensão é o passo fundamental para a sua superação. Há que se observar que o erro, como manifestação de uma conduta não aprendida, decorre do fato de que há um padrão já produzido e ordenado que dê direção do avanço da aprendizagem do aluno e do desvio, possibilitando a sua correção inteligente.

É necessária a conscientização dos educadores sobre o verdadeiro significado de sua prática educativa, refletindo, avaliando, e analisando sobre as atitudes dos alunos e sua própria atitude como docente.

CONCLUSÃO

Ante o exposto conclui-se que:

A avaliação é um processo ensino-aprendizagem e deve ser permanente.

A transposição de uma avaliação normativa para uma formativa implica a necessidade de modificação das práticas do professor em compreender o aluno tanto do ponto de partida, como no ponto de chegada.

A avaliação possibilita aos alunos e ao professor rever até onde conseguiram atingir seus objetivos. Mostra, também, onde eles precisam agir para alcançar os objetivos esperados.

A avaliação é um mecanismo que acompanha a implantação e a viabilização da correção dos rumos certos do modelo da escola, pautada no rendimento escolar do educando, para uma visão social do todo contexto escolar e social.

A avaliação por classificação tem constituído a única fonte de informação a partir da qual o aluno, os encarregados da educação e a escola como elemento integrado entre aprendizagem e o ensino.

A face mais visível da pratica avaliativa é a função pedagógica, que se destina a acompanhar, entender e favorecer o contínuo avanço do aluno.

 

Por:Dr.Antônio Pereira dos Anjos

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