Atlético eliminado da Série D, as lições que ficam para o futuro de seus comandantes

Foto: Joacy Júnior / Atlético-PB

Após uma campanha turbulenta, recheada de altos e baixos, chega ao fim a participação do Atlético de Cajazeiras no Campeonato Brasileiro da Série D de 2020. A equipe foi derrotada por 3×0 para o Globo-RN na tarde desta sexta-feira 27/11 na cidade de Ceará Mirim. Mesmo jogando por um empate, o Trovão Azul foi engolido os 90 min pelo clube potiguar, que acabou conseguindo a classificação para o mata-mata da competição nacional.

A campanha deixa inúmeras lições ao time cajazeirense, que pecou muito no planejamento durante a temporada, erros que custaram melhor sorte tanto no Campeonato Paraibano como na Série D. A começar pelo mal planejamento na escolha de algumas peças do elenco e do comando técnico, como na insistência com jogadores que desde que chegaram em Cajazeiras, não renderam. Insistência essa que talvez tenha custado todo o ano de 2020. Ano que tinha tudo pra ser histórico, mas que acaba de forma decepcionante para o torcedor atleticano, que teve sua primeira decepção no campeonato estadual, onde o time liderou todas as rodadas do campeonato e acabou sendo eliminado na última, ainda na primeira fase, ficando sem calendário para o ano de 2021. Para a Série D, empolgado pela volta do clube a uma competição nacional após 13 anos, o torcedor resolveu dar mais um voto de confiança ao time, e esperava que fosse feita uma reformulação no elenco, inclusive na comissão técnica para que a equipe chegasse com chances de conseguir o acesso, o que não foi feito. Quando houve a mudança de treinador e foi contratado Celso Teixeira, o time ja havia perdido muitos pontos bobos.

O planejamento já começou errado mesmo antes da primeira rodada, onde não foi realizado sequer um amistoso que servisse como preparação para o torneio nacional, algo que fez com que o time chegasse nas primeiras rodadas totalmente desentrosado e sem ritmo de jogo, e foi o que os resultados mostraram. 3 primeiros jogos, 3 derrotas. Mesmo com o fracasso no estadual e com o não cumprimento da meta de conseguir pelo menos calendário para 2021, a diretoria optou pela permanência do treinador Ederson, e pela manutenção da base da equipe, incluindo jogadores como o lateral esquerdo Davi, que desde 2019 quando veste a camisa do Atlético ainda não mostrou nada de relevante e se manteve de forma inexplicável como intocável na equipe durante todo ano, além do zagueiro Egon que fez um bom ano de 2019, mas em 2020 esteve muito abaixo do seu futebol, comprometendo em várias partidas, e aparentando estar fisicamente fora de forma, outro fato inexplicável é que o jogador foi dispensado por indisciplina após o paraibano, e logo depois recontratado, fato esse que causou estranheza a todos.

Além das insistências, algumas contratações também decepcionaram. A principal delas foi Enercino, jogador que veio para ser o camisa 10 e grande referencia técnica do time. Não há dúvida da qualidade do jogador e da história que ele tem no futebol, mas houve um erro claro de avaliação na hora de contrata-lo, pois Enercino nos clubes que passou nunca jogou na posição que havia sido contratado pra o Atlético e nunca foi esse protagonista, que chamasse a responsabilidade como era esperado que fizesse em Cajazeiras. Resultado, o jogador não rendeu e entrou em acordo para deixar o clube com o campeonato em andamento. Outras contratações menos badaladas como Diogo Peixoto, Edmar e Daniel Justino também passaram longe de empolgar, fazendo com que o clube chegasse nas rodadas finais com um elenco totalmente limitado e com um banco de reservas com peças que pouco agregavam.

De fato o ano de 2020 do Trovão Azul, deixa muitas lições, resta saber se o clube aprenderá ou não com os erros. Se aprender tem tudo para brigar pelo título paraibano no ano que vem, até pelo fato de os outros clubes do estado estarem em péssima fase. Se não aprender, 2021 tem tudo pra ser mais um ano de ”quase”

Confira abaixo um saldo do elenco atleticano no ano de 2020

Quem saiu por cima:

Bruno Gonçalves: Apesar de gols perdidos em algumas partidas, o centro avante nunca fugiu da responsabilidade e se doava ao máximo sempre que esteve em campo, contribuindo com 7 gols na competição e sendo o artilheiro do time.

Henrique Pachu: Vice Artilheiro do time com 5 gols, Pachu talvez tenha sido o jogador mais decisivo da equipe, letal nas finalizações, termina a Série D com moral.

Testinha: Grata surpresa nas ultimas rodadas, jogou muito bem aberto pela ponta direita, fazendo gols e assistências e dando bastante trabalho aos defensores.

Patrick: Apesar de não ter ido bem na última rodada, fez um campeonato bastante consistente e jogando muito bem na função de camisa 10.

Jean Santos: Uma das melhores contratações da equipe na temporada, um verdadeiro cão de guarda em campo e muito preciso na hora de atacar.

Michel: O coringa do time, em diversas vezes quebrou o galho jogando em várias posições, o jogador que todo treinador gostaria de ter.

Iranilson: Para muitos o melhor jogador da equipe. Extremamente técnico e raçudo, o lateral direito (ala) mostrou que tem futebol para jogar em equipes maiores.

Wesley: Muitas vezes salvou o sistema defensivo do time, o zagueiro por muitas vezes se desdobrava em campo, visto a lentidão e má fase de seus companheiros.

Danilo: Apesar de jogar apenas duas partidas e dos 4 gols sofridos, foi o goleiro do Atletico que mais mostrou segurança na temporada. Salvou o time de perder por um placar mais elástico na partida contra o Globo.

Ficaram Igual:

Filipinho: Teve o ano prejudicado por uma lesão que o afastou durante boa parte da temporada, mas tem qualidade e pode ser aproveitado em 2021.

Jeferson: Nas poucas oportunidades que teve demonstrou melhor segurança que os outros zagueiros do elenco, também pode ser aproveitado em 2021

Guilherme: Aparentou demonstrar qualidade, mas teve poucas oportunidades devido a insistência em Davi.

Custódio: Não comprometeu, mas também pouco agregou.

Edmar: Pouco agregou ofensivamente, mas fez um gol decisivo contra o Salgueiro

Diogo Peixoto: Fez 2 gols e demonstrou alguma qualidade com a bola nos pés, mas muito pouca intensidade em campo. Muitas vezes aparentava estar fora de sintonia da partida.

Quem saiu por baixo:

Davi: O lateral esquerdo foi o jogador mais criticado pela torcida na temporada, comprometeu defensivamente em partidas decisivas e ofensivamente não agregou em nada. Chamou atenção a insistência em escala-lo durante todo o ano.

Egon: O zagueiro também comprometeu em partidas decisivas e não foi nem sombra do jogador que foi em 2019. Nitidamente fora de forma, era presa fácil para os atacantes adversários.

Paulinho: Fez algumas boas partidas no campeonato paraibano que geraram expectativa sobre seu futebol, mas foi só isso. Todo o resto da temporada foi muito abaixo.

 

Fonte: João Antonio /Redação Jogo em Foco

 

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