Em homenagem, multidão lembra 83 anos de morte do Padre Cícero

Fieis lotam a Praça do Socorro/Foto: Elizangela Santos

Há 83 anos morria Cícero Romão Batista, o “Padim Ciço”

Cerca de 30 mil fiéis participaram, na manhã desta quinta-feira, da missa em em louvor aos 83 anos da morte do Padre Cícero, patriarca deste Município. Após a celebração eucarística, aconteceu apresentação da Banda de Música Municipal e distribuição de caldo para os romeiros, pelo programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A romaria do Padre Cícero iniciou na última segunda-feira, integrando a Semana do Município pelos 106 anos de Emancipação Política, que acontece até o próximo sábado, 22, com hasteamento das bandeiras e encerramento das comemorações.

Todo dia 20 de cada mês fieis lotam a Praça do Socorro, em frente a capela onde o religioso foi sepultado, para relembrar a morte do Padim. Em julho, porém, a data é celebrada de forma ainda mais especial, pois relembra o aniversário de morte do patriarca juazeirense, Padre Cícero Romão Batista, falecido em 20 de julho de 1934, há 83 anos. A missa foi presidida pelo bispo Dom Gilberto Pestana de Oliveira e teve co celebração de mais de 100 padres.

Para Cícero José da Silva, pároco da Basílica Nossa Senhora das Dores, a morte do patriarca juazeirense é vista de uma forma diferenciada pelos próprios romeiros. “Os fiéis não consideram a morte do Padre Cícero como um acontecimento ruim. A data é comemorada a passagem do Padim desse mundo para o céu, por isso todo dia 20 essa multidão se reúne para reafirmar o compromisso de fidelidade a Jesus”. Conforme explica, a fé católica acredita “na vida eterna, ao lado de Deus, portanto, Padre Cícero está no alto, olhando e intercedendo por todos os devotos e, é dessa forma que o Romeiro enxerga esse acontecimento”, pontua.

“A Romaria que marca os 83 anos de morte do Padre Cícero é de grande importância, até porque a cidade vive, respira romaria. Juazeiro do Norte é a referência que é hoje por causa das romarias. Junto com o aniversário do Município, essa data carrega uma grande responsabilidade e queremos acolher cada vez melhor os nossos romeiros, para que eles sintam-se confortáveis para retornar sempre à nossa Juazeiro”, pontuou o secretário de Turismo e Romarias, Júnior Feitosa.

Breve Biografia
Filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana, Cícero Romão Batista nasceu em Crato, no Cariri cearense, no dia 24 de março de 1844. Aos seis ano, o cratense começou a estudar e, aos 12, fez voto de castidade. Em 1860, aos 16 anos, Cícero foi estudar em Cajazeiras, Paraíba, onde ficou apenas dois anos, regressando devido ao falecimento do pai, em 1862.

Em 1865, aos 21 anos, entrou no seminário em Fortaleza, sendo ordenado cinco anos mais tarde, em 30 de novembro. Voltou para Crato e lecionou Latim no Colégio Padre Ibiapina. Aos 28 anos, já celebrando missas, Padre Cícero conheceu o povoado de Joaseiro, que mais tarde seria emancipado.

Alguns biógrafos afirmam que o sacerdote mudou-se para o vilarejo por causa de um sonho onde viu Jesus Cristo e os doze apóstolos. “De repente, uma multidão de pessoas carregando seus pobres pertences invadiu o local. Então, Jesus virou-se e disse: ‘E você, Padre Cícero, tome conta deles!’ Pe. Cícero obedeceu sem pestanejar”, escreveu um estudioso em um trecho da biografia. Cícero foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, quando o povoado foi elevado à cidade.

No dia 1 de março de 1889, um fato mudaria a vida de Padre Cícero para sempre, bem como a rotina de Juazeiro. Segundo a cresça popular, naquele dia, quando a beata Maria de Araújo recebeu a comunhão das mãos do Padre, a hóstia consagrada teria se transformado em sangue na boca da beata. O fenômeno teria acontecido outras vezes durante dois anos.

Para investigar os acontecimentos, a Igreja formalizou uma comissaão. Em 13 de outubro de 1891, a comissão encerrou as pesquisas e chegou à conclusão de que não havia explicação natural para os fatos ocorridos, sendo portanto um milagre. Insatisfeito com o parecer da comissão, o bispo Dom Joaquim José Vieira nomeou uma nova comissão para investigar o caso, tendo como presidente o padre Alexandrino de Alencar.

A segunda comissão concluiu que não houve milagre. Dom Joaquim se posicionou favorável ao segundo parecer e, com base nele, suspendeu as ordens sacerdotais de padre Cícero. Somente no ano passado, o Vaticano atendeu ao pedido do bispo Dom Fernando Panico e reconciliou o padre Cícero Romão Batista com a igreja católica.

 

Portal Alto Sertão com Blog Diário do Cariri/DN

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